OPINIÃO

O silêncio da imprensa governista diante dos movimentos civis de oposição

31/10/2015 17:12 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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A imprensa brasileira não reflete as pautas da população, mas finge com afinco que seu noticiário representa a realidade.

Esse fato ficou evidente nos meses de setembro e outubro. Os movimentos civis organizaram manifestações semanais pró-Impeachment, divulgaram notícias sobre as investigações policiais nas operações Lava Jato e Zelotes e acompanharam o TCU tanto na reprovação unânime das contas de 2014 do governo Dilma como nos relatórios que mostram a continuação das pedaladas fiscais em 2015.

Para a mídia, pareceu só existir uma questão relevante: Eduardo Cunha.

O presidente da Câmara, como é sabido, foi mencionado em delações premiadas e associado a milionárias contas na Suíça, assim como sua família.

A divulgação dessas supostas, mas prováveis, práticas corruptas é um dever jornalístico.

O problema se encontra em apresentar apenas os fatos convenientes, de forma a produzir uma falsa realidade no imaginário do receptor da mensagem.

Observemos o protocolamento do pedido de Impeachment de Hélio Bicudo. Se o assunto é a deposição de Dilma Rousseff, por que um jornalista intimida um senhor de 93 anos a falar de Cunha, a ponto de a petista se tornar nota de rodapé na discussão?

E a cobertura do Estadão dos protestos pró-Impeachment? Se as manifestações civis querem a deposição de Dilma, por que o jornalista insiste em impor Cunha como pauta, como se os brasileiros não estivessem dando maior importância a outra questão?

Também digna de nota é a divulgação da Folha e da Globo ao ataque sofrido pelo Movimento Brasil Livre pelo MTST. Existe farta evidência de que não apenas os manifestantes do MBL foram agredidos como também foram roubados por militantes da União da Juventude Socialista e da Juventude do Partido dos Trabalhadores. Onde não há jeito de falar de Cunha, se abafam os acontecimentos.

É nítido que a grande imprensa faz o jogo do governo e tem consideráveis incentivos financeiros para fazê-lo. Dotada de audiência decadente e se vendo ameaçada pelo crescimento das redes sociais e pequenos veículos independentes, ela opta por garantir suas verbas estatais.

Trata-se de mais uma nefasta consequência de nosso modelo de Estado, que não conhece limites para seu poder político e econômico sobre todos os setores da sociedade.

A pauta das ruas é o Impeachment. A deposição de Dilma Rousseff não é uma disputa de gabinete, por mais que a mídia queira pintar esse quadro.

Se está claro que o meio jornalístico boicotará o sentimento popular, os movimentos civis devem denunciar seu viés governista e utilizar ainda mais as tecnologias que permitem uma comunicação descentralizada e plural.

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