OPINIÃO

O 'Fora Temer' com recheio de 'Bora PT'

23/09/2016 16:05 BRT | Atualizado 23/09/2016 16:05 BRT
NurPhoto via Getty Images
SÃO PAULO, SP, 22.09.2016 BRAZIL PROTEST - Demonstrators holding a banner that reads in Portuguese "Temer Out" march during a protest against Brazil's President Michel Temer in Sao Paulo, Brazil, Thursday, Sept. 22, 2016. Temer became Brazil's president following the ouster of Dilma Rousseff by the Senate over accusations of fiscal mismanagement. (Photo by Cris Faga/NurPhoto via Getty Images)

As manifestações petistas contra o governo Temer passaram de fracas para quase irrelevantes. A defesa de um projeto de poder criminoso e de seus corruptos líderes é o que faz o Fora Temer não ter apoio popular.

Lotados de vermelho, os protestos contra o atual presidente parecem familiares para quem acompanha as manifestações de rua dos últimos dois anos. O motivo disso é que eles são idênticos aos atos contra o processo constitucional do impeachment, chamado pela militância petista de "golpe". Os mesmos grupos, com os mesmos bordões, igualmente chefiados por Lula e companhia, bradam hoje a campanha Fora Temer.

O sentimento difuso no ar é o da vingança. O Fora Temer não é baseado numa Constituição que os petistas já mostraram desprezar, mas numa ânsia revanchista e reacionária de tentar fazer a esquerda voltar ao poder na base da bravata e do vandalismo.

O crime fiscal de Dilma e a profunda crise econômica na qual ela jogou o Brasil, condenando o brasileiro comum ao desemprego e empobrecimento, já eram suficientes para desgastar e desmoralizar o petismo. A insistência arrogante em militar pela impunidade de quem jogou o povo na miséria apenas agravou a rejeição ao partido.

Pagar a conta do petismo e ainda ter que ouvir que os contrários ao Partido são da ''elite branca que não quer ver pobre andar de avião'' é nada menos que um cuspe na cara do cidadão.

Dilma participou deste insulto coletivo junto com o PT e seus aliados. Talvez a propaganda ideológica tão ressoada em meios universitários acabou por se confundir com a realidade na cabeça deles: a esquerda não protege os pobres, mas sim protege aos próprios interesses.

Defender o petismo a todo custo, mesmo diante de uma tragédia gritante, soa como loucura para toda pessoa que não seja apaixonada pela ideologia. E é assim que militantes são vistos quando falam em pegar em armas ou ex-ministros declaram que ''eles terão seu Stalingrado''.

Aliás, se a analogia com Stalingrado é cabível, a situação petista mais parece com a nazista. Hitler, ao ver suas tropas cercadas pelos soviéticos, negou-se a reconhecer a loucura de defender a cidade contra uma força que as destruiria. Impôs aos alemães que fizessem uma resistência fanática. A catastrófica derrota que se seguiu selou o destino do ditador.

A posição dos petistas hoje segue a mesma insanidade ideológica. Quem irá cerrar fileiras com tal militância na Paulista para defender um projeto falido e os líderes corruptos dele, que hoje disparam ataques contra o Ministério Público e a Polícia Federal?

No último domingo, 18 de Setembro, a Avenida estava tão vazia que ciclistas conseguiam andar em suas bicicletas sem serem interrompidos pela turma de vermelho. O PSTU tem mais filiados do que tinha gente na rua.

Quando se luta ''pelo povo'' defendendo o governo que jogou-o na maior crise econômica da história nacional, pela ''democracia'' exigindo a derrubada repentina do vice-presidente eleito e pelo Lula alegando que ele é perseguido ''sem provas'' enquanto existem dezenas na denúncia de 140 páginas do Ministério Público, é difícil convencer o povo brasileiro que seu projeto fracassado merece algo fora uma porta na cara e um voto contrário nas eleições municipais de 2016.

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