OPINIÃO

O Brasil deve endurecer com Cuba, mas sem perder a ternura jamais

País deve se espelhar em recente decisão dos Estados Unidos e cortar relações comerciais com a ilha

23/06/2017 12:46 -03 | Atualizado 23/06/2017 12:46 -03
ADALBERTO ROQUE via Getty Images
O presidente de Cuba, Raul Castro, desfila na tradicional Parada de Maio.
Não levantaremos as sanções ao regime de Cuba até todos os prisioneiros políticos serem libertados, as liberdades de associação e expressão serem respeitadas, todos os partidos políticos serem legalizados, e eleições livres e internacionalmente supervisionadas serem agendadas.Donald Trump, Miami, 16/06

O fim da política de apaziguamento de Barack Obama e a retomada da oposição americana à ditadura cubana é uma boa notícia aos defensores da liberdade na América Latina.

Promotora de desinformação que visa romantizar suas políticas repressoras, a ilha-prisão dos Castro é uma máquina de propaganda socialista, atraindo desde nossas elites intelectuais até jovens universitários.

Mas o fato é que os ditadores Fidel e Raúl sempre usaram seus poderes para prender cubanos contrários ao seu regime, seja no início da Revolução ou durante os afagos com Obama.

A escala dos crimes do governo cubano é, em grande parte, ignorada pelo público brasileiro.

Em Miami, durante o anúncio da volta dos embargos à Cuba, Trump expôs a situação:

''Por quase seis décadas, o povo de Cuba sofre sob dominação comunista. Até hoje, Cuba é governada pelas mesmas pessoas que mataram dezenas de milhares de seus próprios cidadãos, que buscaram espalhar sua ideologia repressiva e fracassada por nosso hemisfério, e que uma vez tentaram armazenar armas nucleares inimigas a 140 quilômetros de nosso litoral.

O regime dos Castro enviou armas para a Coreia do Norte e alimentou o caos na Venezuela. Enquanto aprisionava inocentes, ele acolheu assassinos de policiais, sequestradores e terroristas. Ele apoiou tráfico de pessoas, trabalhos forçados e exploração ao redor do mundo. Esta é a simples verdade sobre o regime dos Castro.''

Noutras palavras, o Partido Comunista de Cuba é uma organização criminosa e seus dirigentes deviam estar diante de um tribunal internacional que julgasse seus crimes contra a humanidade.

Enquanto o Brasil não tem poder para promover tamanha justiça sozinho, podemos ajudar na queda da ditadura cubana.

Somos o segundo maior parceiro comercial de Cuba e enviamos mais de dez mil turistas à ilha anualmente. O dinheiro brasileiro é vital para pagar as contas do regime e financiar desde torturadores até as remessas de armas que ajudam Kim Jong-Un a se manter no poder.

A revisão da postura americana é uma boa oportunidade para a brasileira também ser revista. É hora de condenarmos a ditadura e congelarmos nosso comércio e turismo com a ilha até que as liberdades políticas, econômicas e sociais de seu povo sejam restauradas. Vale lembrar que nosso dinheiro não ajuda o cubano comum, mas enriquece a elite governante.

Não é à toa que a resposta inicial dos dissidentes cubanos à Trump foi positiva. Eles sabem que o preço de aproximação com a ditadura Castro é encorajá-la a reprimir ainda mais brutalmente sua oposição, segura de que o mundo exterior nada fará contra ela.

Devemos cooperar com Cuba na medida em que ela provar superar seu histórico tirânico e criminoso. Enquanto isso, devemos ser solidários aos que fogem do terror socialista: seja um médico ou um atleta, o asilo deve ser garantido a todo cubano que aproveitar uma viagem para escapar da ilha, sem temer deportação por nossas autoridades.

O Brasil deve ter coerência com seus valores. Não podemos falar de dignidade humana dentro de nossas fronteiras enquanto enviamos dinheiro para a ditadura cubana. Como a mais poderosa nação da América Latina, é nosso dever denunciar e boicotar o regime dos Castro.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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