OPINIÃO

26 de Março e a importância da volta verde e amarela às ruas

As pautas incluem desde a revogação do Estatuto do Desarmamento até a defesa da Operação Lava Jato.

16/02/2017 19:20 BRST | Atualizado 17/02/2017 02:06 BRST
Nacho Doce / Reuters
Manifestantes pró-impeachment comemoram cassação de mandato de Dilma Rousseff.

Os movimentos civis que lutaram pelo impeachment de Dilma Rousseff marcaram sua primeira manifestação deste ano para o dia 26 de Março. As pautas incluem desde a revogação do Estatuto do Desarmamento até a defesa da Operação Lava Jato.

Tendo muito mérito na ida de milhões de brasileiros às ruas para exigir a deposição da ex-presidente por sua fraude fiscal, o Movimento Brasil Livre adota agora um tom mais propositivo, com reformas a serem feitas e instituições a serem preservadas.

A defesa da Polícia Militar e o fim do desarmamento civil são respostas às demandas populares por uma segurança pública mais forte e pelo resgate do direito do cidadão de defender a si e sua família. O caos no Espírito Santo, com quase 200 mortos, reanimou os protestos contra o sucateamento das polícias e a total incapacidade das pessoas comuns de se proteger contra a criminalidade.

Já o apoio à Lava Jato é vital: as investigações policiais e o julgamento de corruptos pela Justiça são importantes tanto para expor os interesses mafiosos por trás de nossa inchada máquina pública quanto para mostrar que nem poderosas figuras nacionais estão acima da lei.

A visibilidade e a lentidão do processo motivam a exigência de se eliminar o foro privilegiado, acabando com a tranquilidade daqueles que contam com o STF para escaparem de sua punição. A Lava Jato também contribui para colocar holofotes na gastança e nos privilégios dos políticos e burocratas.

As reformas trabalhista e previdenciária, felizmente, já estão na agenda do governo Temer. Mas o atual presidente tem a péssima reputação de recuar de medidas liberalizantes quando afrontado por grupos de pressão. É esperado que forças sindicais petistas façam pressão contra qualquer mudança. Mostrar que existe apoio civil às reformas pode acabar sendo a diferença entre a aprovação e o recuo.

No geral, é visível o projeto de um Estado menor, mais focado em suas funções essenciais, que custe menos ao povo e invada menos a vida do cidadão.

É uma proposta muito diferente do que a militância pró-PT oferece, já que esta deseja continuar a expandir o poder e os gastos do Estado brasileiro sem se importar com a crise, bem como nutre visível desprezo à Lava Jato e, em particular, ao trabalho do juiz Sérgio Moro.

Por isso o 26 de Março é um sopro de ar fresco: após meses de protestos petistas clamando por um retorno aos planos de Dilma, surge uma manifestação liberal como alternativa aos insatisfeitos com a situação do País.

Vários brasileiros descobriram no impeachment que sua voz é importante e pode fazer a diferença mesmo em pautas que dependem de largas maiorias no Congresso para serem aprovadas. Políticos reagem a incentivos, e a ameaça de não serem reeleitos caso se coloquem contra o povo é poderosa.

O cidadão comum tem uma força que ainda está descobrindo, e as pautas liberais trazem muitas oportunidades para lutar por um novo Brasil. O sentimento de esperança que motivou inúmeras pessoas a participarem pela primeira vez de movimentos de rua continua presente, e toda conquista feita com essa energia ajudará a mudar os rumos da política nacional.

2016 marcou o fim de uma velha ordem, 2017 pode marcar a renovação que trará um futuro melhor ao País. Quem acreditou que poderia participar de algo impensável tem mais uma chance de deixar sua marca na História.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte do nosso time de blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.

Protestos pró-impeachment