OPINIÃO

Em defesa de um novo Brasil

16/04/2016 23:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
BETO BARATA via Getty Images
Activists supporting the impeachment of Brazilian President Dilma Rousseff demonstrate in front of the National Congress in Brasilia, on April 16, 2016. Brazil's President Dilma Rousseff fought for survival Saturday, lobbying congressional deputies behind closed doors on the eve of a vote that could send her to face an impeachment trial in the Senate. Rousseff is accused of illegal accounting maneuvers to mask government shortfalls during her 2014 reelection. / AFP / BETO BARATA (Photo credit should read BETO BARATA/AFP/Getty Images)

Se as manifestações de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff fizeram história como as maiores já vistas pela nação brasileira, a votação pela deposição da presidente neste 17 de abril será um divisor de águas na política brasileira.

Sob forte mobilização popular, a vitória do impeachment passará um sinal inequívoco aos brasileiros que exigiram a punição da presidente: nem mesmo o poder de um partido há treze anos no Planalto pode encarar uma população determinada a fazer valer a Constituição da República.

É a quebra definitiva do estereótipo do cidadão passivo, da desesperança frente a uma poderosa elite governante, da pequenez do indivíduo frente os que controlam o enorme e corrupto Estado.

Estamos dentro de uma revolução cultural, onde pessoas comuns pararam de esperar que a oposição honrasse seu papel e passaram a exigir que suas pautas fossem defendidas. Quem antes se sentia numa posição confortável para ser covarde e omisso hoje não consegue nem andar nas manifestações sem lidar com a repulsa e indignação popular.

Os antes todo-poderosos movimentos sociais, braços da esquerda política que são usualmente financiados com dinheiro público, assistem atordoados a ascensão de grupos como o Movimento Brasil Livre, que independem de mortadela para fazerem as demandas de milhões serem ouvidas em claro e bom som pelos mais altos postos dos Três Poderes.

Este é um novo Brasil que nasce, onde a população tem maior controle sobre seu destino e a classe política está desmoralizada. Para quem ambiciona abusar do pagador de impostos enquanto acoberta seus atos criminosos e tirânicos, o futuro não é promissor.

O impeachment simboliza a vontade popular de punir quem atenta contra a República, não importa o cargo ocupado pelo(a) criminoso(a). O verdadeiro golpe é o que a Lava-Jato escancarou: a exploração do povo realizada pelos que controlam uma máquina estatal gigantesca, que promete maravilhas enquanto suga a liberdade e o bolso do cidadão até um ponto que ele mal tenha forças para questionar os abusos.

Mas, como se diz, ''ele'' acordou. E não foi um gigante, abstrato e impessoal. Foi o brasileiro de carne e osso, que assumiu por conta própria a tarefa de combater um projeto de poder criminoso que destrói a terra em que vive.

Ele foi para a rua mostrar sua indignação.

Ele está na rua defendendo as leis da República.

E ele irá para a rua resgatar seu País daqueles que o sequestraram.

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