OPINIÃO

Contra Trump, a caça às bruxas disfarçada de jornalismo

Persiste na imprensa a demonização do novo presidente e seus milhões de apoiadores, com rótulos cruéis sendo dados a eles, sem chance ao diálogo.

05/02/2017 21:23 -02 | Atualizado 06/02/2017 10:33 -02
Carlos Barria / Reuters
Donald Trump é alvo de cobertura dura da imprensa

A campanha midiática contra Donald Trump na eleição presidencial americana fracassou em fazer Hillary Clinton chegar ao poder. Entretanto, a vitória republicana não trouxe sensatez aos meios jornalísticos: persiste a demonização diária do novo presidente e seus milhões de apoiadores, com rótulos cruéis sendo atirados contra eles, sem ser dada chance alguma ao diálogo.

Tomemos como exemplo o decreto que limitava a imigração vinda de sete países árabes com forte presença terrorista: veículos do porte do New York Times e da CNN espalharam a falsa narrativa de que a medida era um ''banimento aos muçulmanos'' (a hashtag #MuslinBan inclusive popularizou-se no Twitter), sendo seguidos por quase todos os grandes jornais do planeta.

Uma segunda versão da narrativa, rotulando a medida como um ''banimento aos imigrantes'', provocou inclusive gigantes como Google e Facebook a participarem do linchamento global contra o republicano.

Não se apontou que o decreto nem mexeu na imigração vinda dos cinco países de maior presença islâmica no mundo. Igualmente, o limite de 90 dias não alterou em nada a rotina de quase a totalidade da imigração mundial aos EUA. É absurdo afirmar que Trump baniu muçulmanos ou imigrantes de entrarem nos Estados Unidos, mas essa foi a narrativa repetida manchete após manchete.

A mídia chamou rapidamente especialistas que confirmavam sua visão para comentar o decreto, aproveitando para chamar quem discordasse dela de intolerante e racista. O ponto de vista propagandeado é tão hegemônico nos jornais e revistas que parece surreal existirem pesquisas apontando que mais americanos apoiam o decreto de Trump do que se opõem a ele.

É um contraste que mostra como a imprensa está descolada da realidade, vivendo numa bolha que marginaliza a opinião do cidadão comum e toma a ideologia progressista como dogma universalmente aceito.

Não bastando isso, vários jornalistas romantizam a militância anti-Trump como uma ''resistência'' ao invés de um movimento civil como outro qualquer na república americana.

É um termo que denota uma ação coletiva fora da normalidade, como no caso de enfrentar um governo tirânico e ilegítimo. Fica implícito que tal grupo pode recorrer à violência, e de fato a militância anti-Trump faz isso e mais: vandalismo, barricadas nas ruas, apedrejamento de policiais e agressões a civis vem se tornando rotina, tudo com a cumplicidade de uma mídia que se nega a expor a face criminosa do movimento que ela mesma promove.

O ápice recente deste ambiente de agressão se deu quando uma turba anti-Trump fez um violento protesto para impedir o palestrante homossexual de direita Milo Yiannopoulos de se expressar na UC Berkeley, uma universidade californiana.

A imprensa ainda cobriu tal horror colocando Milo como vilão, inclusive com veículos brasileiros tachando-o de extremista. Nenhuma rotulagem do tipo foi dada aos reais vândalos e agressores presentes no evento.

Irá a mídia continuar em guerra com o governo Trump, recorrendo a toda distorção e atrocidade que seja cometida contra ele? Os jornalistas abandonarão de vez seu compromisso com a pluralidade em prol do partidarismo, convertendo-se na prática em ativistas políticos?

São perguntas em aberto, mas infelizmente o presente não nos dá boas perspectivas para as respostas. Os jornais que fingem lamentar a divisão e o extremismo produzem, eles mesmos, esta realidade. Cabe ao povo vigiar os vigilantes, usando do poder das redes sociais para denunciar aqueles que reportam fantasias ideológicas como se fossem fatos. As fake news não vão se expor sozinhas.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte dos blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.

Os protestos contra decreto de Trump sobre imigrantes