OPINIÃO

Caso Santander-Queermuseum: O boicote como resposta liberal

Não, não foi censura. Foi pressão social.

12/09/2017 17:43 -03 | Atualizado 12/09/2017 18:17 -03
Divulgação/Queermuseum
Essa imagem de Jesus na mostra provocou indignação de cristãos, que denunciaram vilipêndio.

Nos últimos dias, a exposição Queermuseum, promovida pelo banco Santander em Porto Alegre, gerou revolta nas redes sociais pelo bizarro conteúdo sexual da amostra, inapropriado ao público infantil em idade escolar que frequentava o espaço. Para completar o escândalo, foi descoberto que o banco havia sido beneficiário de R$ 800 mil captados pela Lei Rouanet para a realização do evento.

Após a imensa repercussão negativa, o Santander decidiu encerrar a exposição e emitiu uma nota de desculpas pelo ocorrido.

Os defensores da exposição, contrariados pela pressão social ter feito o banco reconsiderar sua atitude, rapidamente passaram a rotular os indignados como ''fascistas'' e ''censores".

O Movimento Brasil Livre, um dos grupos liberais pró-boicote, chegou a ser alvo de Leandro Brixius, editor do jornal gaúcho Zero Hora, que expôs publicamente seu desejo de violentar os jovens ativistas por defenderem suas ideias.

Mas afinal, a prática do boicote é fascista, censora ou anti-liberal?

O ponto-chave a se observar para analisar se tal ato concorda com o liberalismo pode ser resumido em uma palavra: coerção.

Quem apoia uma sociedade livre acredita que o cidadão tem direitos individuais a serem respeitados e protegidos da violência física de terceiros. Entre eles, a liberdade de expressão e de associação.

Tomemos o caso do Queermuseum. Ficou claro que muitos cidadãos consideraram inapropriado o conteúdo sexual do evento, achando absurdo que crianças tenham sido expostas a ele.

Por meio da internet, rapidamente esses brasileiros se deram conta de que sua indignação era generalizada, atuando desde isoladamente até por meio de grandes organizações civis para fazer sua voz ser ouvida ao entrarem em contato com o Santander.

O banco, como a empresa privada que é, rapidamente percebeu que sua exposição insultava os valores tanto de vários de seus clientes atuais como também dos potenciais. Mais notável ainda foi o início do boicote, com os internautas clamando para que todos com conta no Santander a cancelassem o mais rápido possível.

Ao ver que insistir com o Queermuseum não seria bom nem para sua imagem e nem para suas finanças, o banco decidiu cancelar a exposição e pedir desculpas.

Do início ao fim do caso, portanto, tivemos um conflito sendo resolvido mediante a interação entre pontos de vista e a chegada a uma conclusão pacífica.

Em nenhum momento o Santander teve funcionários agredidos, tampouco os cidadãos indignados sofreram violência ou passaram pelo risco dela.

Foi dada uma escolha à empresa por parte destes brasileiros: reveja sua postura ou perderá nossa preferência.

Não houve batida policial, nem turba enfurecida armada, nem ameaças governamentais ou privadas que trouxessem perigos concretos ao Santander.

Conclui-se que o boicote realizado não apenas foi liberal como também um exemplo de mobilização civil livre, espontânea, rápida e eficaz.

As acusações ressentidas de ''fascismo'' e ''censura'' por parte dos contrários ao fim da exposição de crianças à bizarrice sexual do Queermuseum (com direito a interações por toque) infelizmente são apenas isso: ressentidas.

Opiniões à parte sobre o caso, seu desfecho foi atingido de forma voluntária e pacífica. É uma vitória liberal, e enquanto acabasse por meio de um civilizado acordo entre brasileiros comuns, não poderia ser de outra forma.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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