OPINIÃO

Caos no Espírito Santo e o Brasil que precisa enfrentar a criminalidade

Nos últimos dias, o Espírito Santo viu uma centena de pessoas inocentes morrerem nas mãos de criminosos confiantes em sua impunidade.

08/02/2017 16:55 -02 | Atualizado 09/02/2017 12:23 -02
Paulo Whitaker / Reuters
Policiais da força nacional parados em quarteirão de uma rua em Cachoeira do Itapemirim, Espirito Santo

A função número um do Estado brasileiro é proteger a vida do cidadão comum. O fracasso do governo em garantir a segurança pública é a fonte de nossos 60 mil homicídios anuais, um desastre social que rasga famílias e lares como nenhum outro no país.

Nos últimos dias, o Espírito Santo viu uma centena de pessoas inocentes morrerem nas mãos de criminosos confiantes em sua impunidade. Sem policiamento e com o povo desarmado, estes bandidos sabem que são as figuras de maior força, podendo invadir, roubar e praticar qualquer atrocidade ao bel prazer.

A chegada do Exército trouxe alívio para a população local, que agora tem a esperança de não ter suas casas e comércios saqueadas. Mas não se pode, e nem se deve, depender deste tipo de ação militar para garantir a tranquilidade do cotidiano.

Isso não é uma vida digna, nem tal postura impede o pior de acontecer.

Nada simboliza a fraqueza da lei e da ordem no Brasil como a cultura do ''não reaja'': diante do sucateamento da polícia e de uma política de desarmamento que retirou o meio de defesa do cidadão honesto, as autoridades e os especialistas simplesmente recomendam que as pessoas vivam tentando fugir do problema nas ruas e se acovardem quando ele bater na sua porta.

Isso não é uma vida digna, nem tal postura impede o pior de acontecer. É uma recomendação degradante que reduz o povo a um gado que, se baixar a cabeça e obedecer cegamente, talvez tenha a sorte de não ir para o abate.

É preciso sim reagir, de maneira firme e decidida. Reconheçamos que não só o caos do Espírito Santo é inaceitável, como a situação geral do Brasil é inaceitável. Devemos restabelecer prioridades e colocar a pauta da segurança pública no topo, guiando as eleições com a discussão de medidas que visem a prevenir crimes, investiga-los e punir seus infratores.

Ter uma segurança pública respeitável exige que tenhamos uma nova mentalidade nas políticas da área

A tese de que somos um país punitivista é falsa: a maioria dos criminosos não é sequer presa pela policia, quanto mais julgada pela Justiça. Reforma penal é outra discussão, que não muda nossa atual frouxidão com o grosso da bandidagem, que jamais chega a responder perante lei nenhuma.

Seja em formação, tropa efetiva ou equipamento, as forças de segurança pública precisam de reforma. Parte das mudanças podem passar por mais investimentos chegando na área, algo difícil na economia atual.

Mas a crise pela qual passamos mostrou que o Estado brasileiro tem funções demais, gasta mal em todas elas e acaba por não entregar o básico. Está na hora dele parar de tentar ser petroleiro, carteiro, eletricista e guia cultural. Que foque no essencial e faça ele bem feito.

Ter uma segurança pública respeitável exige que tenhamos uma nova mentalidade nas políticas da área, reforçando a capacidade dos policiais enfrentarem as forças criminosas e dos civis se defenderem contra elas. Qualquer visão de desenvolvimento nacional passa pela necessidade de assegurarmos a ordem para que o futuro do país possa ser construído.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representam as ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte dos blogueiros, entre em contato por meio de editor@brasilpost.com.br.

Crise de Segurança no Espírito Santo