OPINIÃO

Brasília pede por mais transporte e menos política

05/01/2017 19:16 -02 | Atualizado 05/01/2017 19:16 -02
Agência Brasil

A nova crise dos transportes em Brasília expõe uma cena revoltante: políticos e seus amigos empresários engordam em poder e privilégio enquanto o povo que banca a farra tem suas demandas ignoradas.

O governador Rollemberg briga com a Câmara Legislativa do DF em meio a protestos contra o aumento das tarifas e previsões de que a medida agravará a crise econômica na capital do Brasil.

Os brasilienses sofrem com a realidade de seu sistema rodoviário, que entrega péssimos serviços e custos crescentes sem apresentar alternativa.

Muitos reconhecem a profundidade do problema quando notam que as empresas licenciadas pelo Governo de Brasília recebem generosos repasses governamentais para cuidarem do transporte da cidade, mas pouco se comovem com a desumanidade de suas longas filas de espera, dos ônibus entupidos por passageiros desesperados ou da falta de segurança observada principalmente nos veículos que andam na periferia do Plano Piloto.

A verdade é que o sistema de licitação de transporte público é uma fábrica de cartéis, onde as empresas vencedoras ganham autorização governamental para dominarem o setor e fazer com que os cidadãos sofram verdadeiro abuso para chegarem em seus destinos.

Enquanto o governo puder usar os transportes como desculpas para aumentar impostos e sua já inchada burocracia, e seus amigos empresários faturarem dinheiro fácil com o cartel criado pelo sistema licitatório, não veremos nenhuma mudança no caos que está o transporte em Brasília.

A resposta para o problema é liberalizar o setor, diminuindo o controle do governo e aumentando o poder de escolha do cidadão.

Todo empreendedor que atenda a requisitos básicos deve poder oferecer seus serviços de transporte ao brasiliense.

Se as atuais empresas de ônibus estão acomodadas com sua vida ganha, vamos pressiona-las com a entrada de concorrentes.

Se as licitações premiam empresas com dinheiro do governo ao invés de indicarem que seus passageiros aprovam seus serviços, vamos cortar os repasses governamentais.

Brasília precisa que seus empreendedores tragam variedade, inovação e competição aos seus transportes.

O Uber foi uma experiência reveladora no que diz respeito à mostrar como a livre-iniciativa é capaz de melhorar a vida das pessoas de uma forma que políticos jamais conseguem fazer fora da propaganda partidária.

A mentalidade por trás do cartel de ônibus é a mesma do cartel de táxis: corporativista, burocrática e estatista.

Vamos aproveitar as lições deste caso de sucesso para trazer uma reforma tão necessária para um setor estagnado.

O melhor sistema para o transporte rodoviário é aquele que incentiva o transportador a conquistar a preferência do cidadão, respeitando seu bolso e sua dignidade. E o livre-mercado se mostra imbatível para cumprir este papel.

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