OPINIÃO

Bolsonaro cresce pois fala dos problemas que Aécio despreza

Liberais e conservadores notam o descaso do PSDB com a grave questão da segurança pública, um dos temas mais endereçados pelo deputado.

25/02/2017 13:07 -03 | Atualizado 27/02/2017 20:28 -03
Montagem/Facebook
Eleitores de direita têm preferido Bolsonaro a Aécio, de acordo com pesquisas presidenciais.

O crescimento de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nas pesquisas presidenciais, aparecendo em segundo ou terceiro lugar sob certos cenários, é um fenômeno que vai além da ausência do seu nome na Operação Lava Jato: o conservador fala de demandas populares que seu adversário tucano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), finge não ver.

Liberais e conservadores notam o descaso do PSDB com a grave questão da segurança pública, bem como rejeitam suas reiteradas posições desarmamentistas e coniventes com o aparelhamento estatal para usos partidários e militantes.

Isso se reflete até no tratamento que o político tucano mais popular da atualidade, João Doria, recebe destes grupos: enquanto a aprovação do prefeito de São Paulo é alta, Doria é tratado na prática como um apartidário. O contraste entre sua gestão e seu partido é tão forte que se opta por ignorar o último.

Mas Doria não é líder do PSDB nem o presidenciável do partido. Aécio é a figura mais forte para a vaga, mas a imagem do social-democrata perante o eleitorado à direita do PSDB se desgastou da eleição de 2014 para cá.

Já fartos do PT durante a eleição de 2014, estes brasileiros queriam uma oposição combativa ao projeto da extrema-esquerda em todas as frentes: política, econômica, social e cultural.

Aécio escolheu ignorá-los e agir como outro membro da elite tucana: apático a qualquer postura oposicionista, salvo a pontual divergência a propostas políticas e econômicas do governo Dilma Rousseff.

Adotando o estilo de FHC, o senador seguiu como esquerda moderada, não fazendo esforço contra o desarmamento, a hegemonia da esquerda no sistema educacional, o financiamento de artistas e intelectuais pró-PT com dinheiro público, o uso destes aparatos formadores de opinião contra a moralidade tradicional brasileira, entre outras pautas do cidadão comum não compartilhadas pela alta cúpula do PSDB.

Para piorar a situação, o senador por meses menosprezou o movimento civil pró-impeachment, deixando o povo sozinho contra o governo Dilma. A cereja do bolo foi aparecer nas investigações de corrupção da Lava Jato. Os manifestantes não esquecem, tanto que posteriormente expulsaram Aécio de um dos últimos protestos de São Paulo. A covardia e o oportunismo de sua postura eram sentidas por muitos.

O apelo de Bolsonaro perante estes brasileiros é simples: uma figura honesta e enérgica que fala sobre os problemas que Aécio Neves ignora.

É a alternativa para quem vê a violência crescendo, queria ter como defender sua família, mas não tem o direito de possuir uma arma nem uma grande figura política que se importe com isso. Para quem vê mil programas do governo gastando o dinheiro dos seus impostos em besteira enquanto as forças de segurança pública caem aos pedaços. Para quem vê o governo, as universidades públicas e jornais patrocinados pelo Estado pisando diariamente nos seus valores e na sua religião.

Bolsonaro se coloca como defensor dessas pessoas. Ele não é simplesmente anti-PT: ele se opõe a toda uma estrutura que permite ao Partido dos Trabalhadores e suas ideias terem força política no Brasil.

É uma visão que promete combater o petismo e suas linhas auxiliares de maneira mais ampla que a de Aécio, mais pontual e conciliatória. Isso também faz parte de seu apelo crescente: afinal, a passividade tucana não foi derrotada pelo PT nos últimos 12 anos?

Os apoiadores de Bolsonaro reconhecem seu temperamento explosivo, mas enxergam nisso uma qualidade. A situação do País pede urgência, e uma liderança que fala para ser ouvida é tida como melhor que uma polida e apagada.

Além disso, como o deputado até hoje não se envolveu em escândalos de corrupção, encontra-se em posição ideal para cobrar moralidade. Qual de seus grandes concorrentes na corrida presidencial poderá atacá-lo sob estes termos?

É fato que Bolsonaro tem grandes defeitos, mas também é importante compreender por que sua candidatura possui tantos entusiastas.

Explorando sozinho o eleitorado de direita e estando acima da vergonhosa corrupção que atravessa os grandes partidos, ele se torna o voto de protesto de quem se vê orfão de representação na política e na mídia.

E quanto mais estes grupos atacarem Bolsonaro, mais sua imagem de salvador da pátria se fortalecerá.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte do nosso time de blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.

Estupro e #ForaBolsonaro