OPINIÃO

A política externa Trump: Reafirmando o poderio americano

É uma clara mudança em relação aos oito anos de retórica pacifista e isolacionista de Barack Obama.

23/04/2017 13:24 -03 | Atualizado 23/04/2017 21:53 -03
Aaron Bernstein / Reuters
Colunista aplaude mudança da política externa de Trump em relação a Obama.

O mês de abril não foi bom para os inimigos do Ocidente. Os EUA bombardearam uma base militar da ditadura síria, intimidaram os norte-coreanos enviando um porta-aviões para os mares asiáticos e arrasaram um território do Estado Islâmico no Afeganistão com a maior bomba não-nuclear de seu arsenal.

O governo Donald Trump demonstra por atos de força que comanda a nação mais poderosa do mundo. É uma clara e bem-vinda mudança em relação aos oito anos de retórica isolacionista e pacifista de Barack Obama, que muito contribuiu para encorajar os que desejam destruir as sociedades livres.

Nada ilustra a covardia do ex-presidente democrata como o episódio em 2012 da ''linha vermelha'' na Síria: Obama alardeou que o uso de armas químicas por parte de Bashar al-Assad ultrapassaria o limite de tolerância dos Estados Unidos, o que resultaria em graves consequências. O ditador usou as armas. Obama? Nada fez.

Este tipo de constrangedora apatia ensinou a regimes autoritários e grupos terroristas que o risco de afrontar os EUA valia a pena: Irã e Coréia do Norte avançaram sua agenda nuclear; a Rússia expandiu sua influência no Leste Europeu e no Oriente Médio; a China avançou seu domínio marítimo na Asiá; Cuba e Venezuela reprimiram opositores de suas ditaduras; o Estado Islâmico massacrou cristãos e expandiu-se por nações árabes e europeias; a lista segue.

No âmbito internacional, Obama ensinou ao Ocidente da pior maneira possível que fraqueza atrai agressão.

O primeiro desafio de Trump, portanto, é relembrar aos seus inimigos geopolíticos que a palavra dos EUA tem peso e sua força deve ser respeitada.

Impor custos proibitivos a provocações e agressões é o primeiro passo nesse sentido.

O uso de armas químicas na Síria, os testes nucleares norte-coreanos e o terrorismo islâmico custaram caro aos seus autores nos últimos dias, o que desencoraja ações mais ousadas no curto prazo.

Naturalmente, o combate que os EUA travam não é apenas material como também ideológico: é necessário enfraquecer a legitimidade dos regimes autoritários e do Islã radical de forma a que, no mínimo, surjam alternativas políticas que não sejam hostis ao Ocidente.

Tal realismo quanto à impossibilidade de transformar o mundo numa utopia democrática foi indicado por Trump durante sua campanha presidencial, quando se mostrou crítico à Guerra no Iraque e demais tentativas do presidente Bush Filho de mudar o Oriente Médio por meio da ação militar.

Mas ideologias e religiões são à prova de balas, e os países da região mostraram que não se transformarão na Suíça após certa tonelada de explosivos ser jogada sobre eles.

Derrubar o secular ditador Assad, por exemplo, pode soar bonito na teoria, mas na prática criaria um vácuo de poder a ser explorado pelo Estado Islâmico na Síria. Nada é tão ruim que não possa piorar.

O governo Trump precisará lidar com esse cenário complexo, ponderando quando é sensato intimidar um inimigo e quando pode-se agir para eliminá-lo.

A capacidade dos Estados Unidos de tornar o mundo um lugar mais livre e seguro é limitada, mas isso não significa que a nação deve fugir de atuar nele. Uma postura firme e prudente pode gerar resultados positivos e, mais importante ainda, evitar catástrofes.

Reagan pode dar uma lição ou duas a Trump sobre isso, enquanto Bush Filho e Obama servem de alerta sobre os extremismos que o atual presidente americano deve trabalhar para evitar.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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