OPINIÃO

A 'Era Trump' pode ser uma oportunidade para a América

20/01/2017 15:40 -02
TIMOTHY A. CLARY via Getty Images
US President Donald Trump (L) salutes the crowd with his wife Melania after being sworn-in as the 45th US president in front of the Capitol in Washington on January 20, 2017. / AFP / Timothy A. CLARY (Photo credit should read TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images)

Este dia 20 de janeiro marca o início de uma mudança vital na política americana: é o início da presidência de Donald Trump, que conta com uma maioria republicana no Congresso, nos governos e assembleias estaduais.

O cenário atual, causado por anos de desgaste do eleitorado com as ideias do ex-presidente Barack Obama e do Partido Democrata liderado por ele, é um verdadeiro cheque em branco para o Partido Republicano, que conta hoje com a capacidade política para fazer as reformas desejadas.

Trump se elegeu numa plataforma de proteção ao trabalhador americano, reafirmação dos EUA como potência mundial, maior rigor contra a imigração ilegal e uma narrativa de que ele enfrentaria a elite global em defesa do povo do seu país.

Estes pilares possuem diferenças quanto ao que os republicanos normalmente defendem e o que a presidência Bush representou. Tanto a visão quanto a pessoa de Trump apresentam marcas próprias, que levaram o empresário a vencer 16 concorrentes pela vaga de presidenciável, bem como depois vencer Hillary Clinton e a mídia americana, majoritariamente simpática a democrata.

Ele gosta de se colocar como um líder forte, tendo participado pessoalmente de negociações com multinacionais como Ford e General Motors para garantir fábricas e empregos em solo americano. Tal postura adota tons nacionalistas e populistas que ressoam com seu eleitorado, embora possam se mostrar ruins caso prejudiquem a liberdade econômica e empobreçam os EUA com medidas protecionistas que dificultem o comércio de bens e serviços no país.

A resposta de Trump, e do Congresso, para tal preocupação é que as reformas liberalizantes que os republicanos pretendem passar irão tornar o país mais competitivo, com as multinacionais então escolhendo se instalarem nele pela perspectiva de melhora do ambiente de negócios.

No plano internacional, Trump deseja recuperar a ideia de que os EUA são dignos da confiança de seus aliados, do respeito de seus colaboradores e do medo de seus inimigos. Ele rejeita a Doutrina Bush, a ideia de que seu país deve ter presença militar permanente em certos lugares e moldar governos na imagem e semelhança de sua própria república.

É por este motivo que ele deseja ver a Europa assumindo mais responsabilidade pelos gastos militares da OTAN, que a ONU pare de hostilizar Israel por defender-se do terrorismo islâmico, que se encontre uma conciliação na guerra civil Síria e que os EUA utilizem seu poderio para neutralizar a capacidade do Estado Islâmico, do Irã e da China de ameaçarem seus interesses estratégicos.

O combate à imigração ilegal gira em torno do respeito a lei e ao povo americano, assegurando que aqueles que desejam entrar nos EUA tenham seus antecedentes devidamente checados, seja por questões econômicas, demográficas ou de segurança nacional. Outro componente importante desta pauta é a valorização do imigrante honesto, que muitas vezes vê seu esforço em seguir os procedimentos corretos sendo desprezado tanto por formadores de opinião quanto pelos próprios infratores.

Quanto a narrativa em que Trump se posiciona contra a elite e em favor do povo, ela se mostra como um fator que veio para ficar em sua presidência: o empresário usa do poder das redes sociais para se engajar diretamente com seu eleitorado, denunciando a mídia como perseguidora não só dele como de seus apoiadores.

É um discurso forte, que pesou no imaginário popular devido aos ataques muitas vezes injustos sofridos por Trump durante e após sua campanha. A parte preocupante desta rotina é que a mídia, ao desgastar a própria credibilidade, não será levada a sério na eventualidade de reais atos ruins de Trump merecerem a atenção do povo americano e do mundo.

Sem dúvidas, Trump será um presidente polêmico. Sua visão de uma América mais livre e próspera no plano interno e mais forte e influente no plano externo encontrará muitos inimigos e sucesso incerto. Mas o triunfo de suas ideias também carregam consigo a promessa de um otimismo e confiança no excepcionalismo americano não visto desde Reagan. Pelo bem do Ocidente, rezemos pelo melhor.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representam as ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte dos blogueiros, entre em contato por meio de editor@brasilpost.com.br.

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