OPINIÃO

A carne é fraca e o Estado é grande

Operação Carne Fraca expõe corruptos incentivos que políticos e grandes empresários têm para defender controle estatal em troca de benefícios.

18/03/2017 18:01 -03 | Atualizado 19/03/2017 02:08 -03
Divulgação/Friboi
Em troca de propina, fiscais do governo liberavam licenças de frigoríficos sem inspecioná-los.

A Operação Carne Fraca é mais que uma batida policial em frigoríficos: ela expõe os corruptos incentivos que políticos e grandes empresários têm para defenderem o controle estatal da economia em troca de benefícios pessoais.

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Desde Getúlio Vargas, o Brasil convive com o fanatismo do nacionalismo econômico. Na ambição de o País ter uma força à altura das potências globais, por décadas tivemos ditadores e presidentes que usaram e expandiram o poder do Estado sob a promessa de nos conquistarem um lugar ao sol.

A narrativa deles: o Brasil possui vastos recursos humanos e naturais, mas não os utiliza da maneira adequada. Isso se deve, principalmente, à falta de uma visão econômica nacional e aos ataques de forças econômicas externas. Devemos, portanto, enfrentar os capitalistas estrangeiros e ter o Estado, com a ajuda dos grandes empresários nacionais, direcionando com mão firme a população rumo às metas vitais para nossa prosperidade.

Os resultados, como observamos 70 anos depois de Vargas, são vergonhosos.

O governo até hoje impede o povo de ter acesso a produtos estrangeiros bons e baratos, mas continuamos sendo um dos mais fracos exportadores em termos proporcionais do planeta.

O Estado toma dinheiro do povo e ''repassa aos campeões nacionais'' via BNDES, mas mesmo na Era Lula nosso crescimento era inferior ao resto da América Latina.

O resultado do dirigismo estatal, que concentra o poder político e econômico nas mãos do Estado e seus aliados empresariais, foi a estagnação do povo na pobreza, a marginalização do povo nas decisões de mercado e a postura anti-liberal de uma elite que sabe ser o governo a fonte de seus privilégios.

Voltemos à Operação Carne Fraca: quem são os beneficiados pela sufocante burocracia, regulação e tributação imposta sobre o mercado brasileiro? Quem ganha com uma política de incentivos fiscais baseados na transferência de renda do povo para quem o governo toma como ''interesse estratégico da economia nacional''?

Os políticos no poder e seus amigos empresários são beneficiários da ideologia econômica que rouba o protagonismo do brasileiro comum e o entrega ao Ministério da Agricultura e à JBS.

A Carne Fraca levanta a questão: como foi possível que bandidos concentrados em tão poucos lugares fizessem um estrago de repercussão mundial em um dos setores econômicos mais importantes do Brasil?

A resposta, como no caso do petrolão, é que o Estado brasileiro é grande demais. Tal tamanho foi gerado à custa do dinheiro e da autonomia da povo. Essa centralização de poder atrai os piores canalhas, aqueles sem escrúpulos para subir na hierarquia e explorar essa força em prol de seus interesses pessoais.

Uma das maiores virtudes do liberalismo é a proteção da dignidade do cidadão comum, que tem seu bolso e suas escolhas respeitados, não importa quão humildes sejam. É uma dignidade que emancipa o indivíduo, e por isso mesmo a elite governante busca sufocá-la o quanto for possível para manter suas práticas corruptas e mesquinhas.

A carne é fraca, o poder corrompe. Estão aí os sinais de que devemos reinvindicar nossas liberdades de volta e adotar uma saudável suspeita quando o governo pretende se expandir. Afinal, quem fiscaliza os fiscais?

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.