OPINIÃO

A bancada do vandalismo

13/12/2016 18:14 -02 | Atualizado 13/12/2016 18:14 -02
EVARISTO SA via Getty Images
President of the Brazilian Senate Renan Calheiros gestures during a Senate plenary to vote on the constitutional amendment that establishes the limit of expenses for the government in the annual budget, as the centrepiece of austerity reforms that have provoked violent protests, in Brasilia on December 13, 2016. Police were out in force in the capital Brasilia to protect government buildings from demonstrators during the upper house vote. The spending cap would be locked into the constitution and is the central plank in proposals by center-right President Michel Temer to get Brazil's finances back under control and attract investors who fled because of Brazil's ongoing recession / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

A PEC do Teto de Gastos foi aprovada em 2º turno neste 13 de dezembro no Senado, acompanhada de outro protesto de extrema-esquerda em frente ao Congresso Nacional.

Mas dessa vez, a atitude da Polícia Militar de isolar a área e revistar os manifestantes resultou na descoberta prévia de muitos que queriam vandalizar, fazendo o ato transcorrer com um número reduzido de incidentes em relação ao anterior.

O saldo do protesto anterior, no dia 29 de novembro, na votação em 1º turno, foi de oito prédios ministeriais vandalizados, junto com a Catedral, o Museu e a Biblioteca Nacional, bem como um carro civil incendiado, um carro da imprensa destruído e um policial esfaqueado.

Os trabalhadores brasilienses observaram a destruição à distância na Rodoviária do Plano Piloto, enquanto esperavam seus ônibus para casa.

Acreditando ter passe-livre para cometer todo tipo de crime em nome de sua ideologia, os radicais de esquerda assim agiram.

Não é um caso isolado: há três meses o Brasil é assediado por criminosos deste tipo, que invadem e vandalizam escolas e universidades públicas ao bel prazer enquanto posam de defensores da educação.

Foram punidos nestas ocasiões? Em maioria, não. Encontraram governadores frouxos, Justiças e polícias lentas e até mesmo reitores e diretores cúmplices de seus crimes, que jogaram suas responsabilidades pela janela por simpatizarem (ou ativamente articularem) com as turbas de militantes que tomaram à força o controle de instituições públicas financiadas por todos os brasileiros que pagam impostos.

protests brazil

Manifestante em frente ao Congresso no dia 29 de novembro

Era óbvio que tal banditismo político sentiria-se encorajado a ousar mais caso ficasse impune. Dito e feito.

A queda de Dilma e do PT foi positiva para a República em matéria de respeito à lei brasileira, com a merecida punição de uma presidente criminosa.

Mas o longo processo constitucional do Impeachment adoeceu a mentalidade da extrema-esquerda, que passou de retórica explosiva em defesa de um projeto de poder corrupto para a violência concreta após sua derrota, sendo o ato de 29 de novembro emblemático para evidenciar este abandono de civilidade.

A militância que invadiu escolas e universidades não busca diálogo, mas sim tenta mostrar na base da intimidação que ainda tem relevância. Quem já chegou sequer perto das áreas tomadas sabe que o perigo de ser agredido ao vocalizar apoio à PEC 55 é dolorosamente real.

Eis a bancada do vandalismo, que destruiu sua reputação no Brasil ao marchar pela impunidade de Lula e Dilma e agora tenta recuperar sua força política chantageando o povo com a ameaça do terror nas ruas.

Quem adere ao crime como forma de ativismo político deve ser levado à Justiça e condenado por suas práticas. Se chegamos ao ponto em que tentativas de matar policiais e incêndios intencionais são feitos à luz do dia, precisamos relembrar estes milicianos para que serve o Código Penal e a cadeia.

Não se trata de criminalizar os movimentos de extrema-esquerda, mas de reconhecer o duro fato de que eles hoje tem criminosos em suas fileiras.

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