OPINIÃO

O governo Dilma tentou usar ao máximo seu poder, mas sucumbiu a ele

31/08/2016 16:14 BRT | Atualizado 31/08/2016 16:14 BRT
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ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Panel detaling the voting in the impeachment trial of suspendend President Dilma Rousseff in the Brazilian senate in Brasilia, on August 31, 2016. Brazil's Senate on Wednesday voted not to bar Dilma Rousseff from holding public office in the future despite stripping her of the presidency at her impeachment trial. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

Com 61 votos a favor e 20 contra, o Senado Federal cassou o mandato de Dilma Rousseff e pôs fim a um governo erguido sobre uma fraude fiscal.

Dilma será lembrada como a presidente que montou uma farsa para se reeleger, jogou onze milhões de brasileiros no desemprego, mergulhou o País numa cruel crise econômica e, sobretudo, ameaçou a lei e a ordem ao atacar a Constituição e os Poderes da República para tentar se manter no poder.

Aliada de ditaduras perversas como Venezuela e Cuba e hostil à repúblicas constitucionalistas como o Paraguai, Dilma ambicionava para si o que apenas tiranos possuem: poder político sem freios nem limites.

Felizmente, na batalha entre a República e Dilma, o povo escolheu defender a primeira.

O governo Dilma tentou usar ao máximo seu poder, seu dinheiro, sua influência política e amigos na elite empresarial e midiática para escapar da justiça e sair impune.

Mas os milhões de brasileiros nas ruas, juntos nas maiores manifestações da história nacional, pressionaram a tal ponto o Congresso Nacional e a Suprema Corte que não ouve espaço para os conchavos de outrora protegerem o projeto de poder petista.

Com um ano de protestos vibrantes pelo impeachment, os parlamentares eleitos se viram obrigados a cumprir seu dever de punir as atrocidades do Planalto.

Nove meses de julgamento depois, o processo constitucional chega ao fim, condenando Dilma ao lixo da história.

É um recado poderoso aos governos bolivarianos pelo continente: vocês não são invencíveis, e o povo pode fazer valer a lei contra seus crimes.

Nem mesmo o Partido dos Trabalhadores, há 13 anos aumentando e aparelhando a força do Governo Federal, conseguiu conter esta força.

A Constituição Federal, a qual o PT votou contra e tentou golpear com seus projetos de Conselhos Populares e Nova Constituinte, está de pé e mais firme do que nunca.

E a punição do partido vermelho por conspirar contra a República não está apenas no impeachment: também está nas urnas, com a perspectiva de que o povo vote contra os petistas nas urnas tanto em 2016 quanto em 2018.

A ambição do PT por uma hegemonia política aos moldes venezuelanos, nutrida e arquitetada desde que Lula e Dirceu tomaram o Planalto, hoje se encontra em pedaços.

Quando foi a vez de Dilma comandar o projeto, ela e seus aliados ainda fingiam dignidade. Hoje, enquanto ela fala que ser deposta por seus crimes é um ''golpe parlamentar'', eles falam desde pegar em armas (no caso das milícias) até invadir o Brasil (no caso dos regimes bolivarianos). A mentalidade totalitária foi exposta.

O Brasil precisa ficar atento para não repetir o erro: o PSOL, partido que apoia ditaduras tanto em seu nome quanto em seu diálogo internacional, promete tentar a mesma tática de se fingir ético e solidário enquanto destrói a liberdade e a ordem republicana. Deve ser imediatamente denunciado.

Por hora, há muito o que se comemorar: as instituições e a população se mostraram determinadas a proteger o Estado de Direito que, mesmo imperfeito, foi uma grande e importante conquista das Diretas Já e do renascimento da democracia liberal no Brasil.

Dilma se vai para que o sonho de um Brasil livre e próspero possa florescer. A exemplo do impeachment, é um destino que está nas mãos dos próprios brasileiros para ser construído.

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