OPINIÃO

Pizzolato é o retrato do Brasil saqueado

06/02/2014 19:21 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02
Jamil Chade/Estadão Conteúdo

Pizzolato, um dos condenados no mensalão, acaba de ser preso na Itália. O Ministro da Justiça já está se movimentando para postular sua extradição, para o Brasil. Espera-se que a Itália colabore, evitando-se mais um caso de impunidade hedionda. Essa prisão, que liga o Brasil com a Europa, nos faz recordar da roubalheira de toda América Latina levada a cabo pelos predadores colonizadores, que aqui produziram uma cultura com consequências e modelos comportamentais deploráveis. Continuamos sendo um país e um continente cobiçado pelos saqueadores, especialistas em pilhagem e espoliação, alimentada pela tradição dos instintos parasitários.

Mesmo depois de dezenas e dezenas de gerações, desde 1500, não se vê nenhum tipo de arrefecimento na voracidade expropriatória e extrativista desses parasitas, cujas tendências predadoras e criminosas nunca se esmaecem. Não existe trégua para a roubalheira e o saque no Brasil, aqui disseminados pelos povos ibéricos, que só aprenderam a viver de guerras e de "conquistas", até alcançar o estado de degenerescência absoluta (na altura do século 18), em razão da progressiva e inveterada falta de produtividade em trabalho honesto.

Uma das desgraças desse colonialismo criminoso e imperialista é que esse espírito de apropriação do alheio, como forma comum de enriquecimento ilícito, se democratizou e se imiscuiu em todas as classes sociais (a tendência para o parasitismo fácil está presente em todos os segmentos da sociedade brasileira). A impressão que se tem é que nunca deixamos de ser, em razão da nossa herança histórica, o país do pensamento único, centrado na rapina e na guerra (violência).

Aqui os apetites, especialmente dos dominantes e governantes, são insaciáveis. Vive-se da sede de riqueza fácil, conquistada pela fraude ou pela coação. Das mais altas autoridades dirigentes do país, passando pelos mais potentes capitalistas burgueses (selvagens e extrativistas), que não têm nada a ver com o capitalismo evoluído e distributivo da Dinamarca, Noruega, Suécia, Japão, Áustria, Canadá, Coreia do Sul etc., até chegar ao mais ralé de todos os ladrões, muita coisa em comum lhes faz a união: a devora, o saque, a ferocidade, a carnificina, a exploração, a cobiça, o ardil, o apetite desregrado... É dessa maneira que ricos, pobres e funcionários roubam, matam, exterminam, destroem, incendeiam e arrasam tudo que surge pela frente, jogando o país na ignorância e na desesperança. Alguns condenados se apresentam à Justiça, dando pelo menos esse testemunho de ligação com o "contrato social"; outros fogem, na esperança da nefasta impunidade.