OPINIÃO

Tite irá salvar a Seleção, não o futebol brasileiro

17/06/2016 13:31 BRT | Atualizado 17/06/2016 13:31 BRT
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Marcos Brindicci / Reuters
Tite, head coach of Brazil's Corinthians, gestures before their Copa Libertadores soccer match against Argentina's San Lorenzo in Buenos Aires, March 4, 2015. REUTERS/Marcos Brindicci (ARGENTINA - Tags: SPORT SOCCER)

Já de início, quero deixar claro que o "anúncio" de Tite como o novo treinador das Seleção Brasileira de futebol masculino é um conserto do "aborto" cometido anteriormente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Dunga não era o inovador ou treinador moderno que a Seleção precisava depois do fatídico 7 a 1 alemão na Copa de 2014. Assim, com a vexatória campanha na Copa América Centenário, restou à CBF se proteger das críticas, ouvindo o "clamor popular" por Tite na Seleção.

Tite é o cara certo, no lugar errado

Não estou falando de suas credenciais e qualificação para ocupar o cargo, mas sim de como ele irá se resguardar para que a lama politico-administrativa da CBF não contamine o seu trabalho frente à Seleção.

Talvez seja esse o motivo para a demora em anunciar oficialmente o treinador. Tite sabe muito bem que sem proteção às investidas de patrocinadores e empresários, ele cairá na vala comum e fracassará no objetivo de dar uma nova identidade à Seleção e resgatar o prestígio da amarelinha junto aos jogadores.

Tite tem plenas condições de reformular a Seleção Brasileira em termos tático e anímico, pois tecnicamente sabemos que essa geração de jogadores é capaz de render muito mais do que Dunga fez.

Entretanto saber que Tite poderá mudar "a cara" da Seleção, tendo jogadores mais comprometidos e apresentando um futebol moderno, não será o suficiente para mudar a minha torcida contra o "time da CBF".

A Seleção Brasileira enquanto representação de um futebol brasileiro organizado e justo ainda irá demorar muito para acontecer. O futebol é parte da sociedade que ele está inserido, então é difícil pensar em uma avanços nas questões política, econômica e administrativa no curto, médio e longo prazo.

Minha incredulidade em mudanças estruturais se dá pelo simples fato de que a CBF não tem como prioridade a adequação do calendário do futebol brasileiro ao internacional; além de ser pouco rígida com relação ao fair play financeiro e à distribuição das cotas de televisão.

Dessa forma, Tite enquanto treinador poderá salvar a Seleção. O que dói na alma é saber que ela novamente será o "engana bobo" do torcedor brasileiro.

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