OPINIÃO

Panama Papers: A seleção do submundo fiscal tem Messi como capitão

05/04/2016 12:09 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Argentina's Lionel Messi leaves the field of play after a 2018 Russia World Cup qualifying soccer match against Chile at the National Stadium in Santiago, Chile, Thursday, March 24, 2016. Argentina won 2-1. (AP Photo/ Luis Hidalgo)

A nossa identidade nacional está ferida pelos "Panama Papers". De acordo com esses documentos, revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, a corrupção é global. E você aí pensando que a Operação Lava Jato era a maior investigação do mundo e que a corrupção era exclusividade do Brasil. Tsc, tsc, tsc...

Meu tom é sarcástico pois mais uma vez nos deparamos com um escândalo de corrupção, este agora em escala mundial. O que fica claro no tal do "Panama Papers" é que quando o assunto é criação de empresas em paraísos fiscais para esconder patrimônio e dinheiro, autoridades de diversos países e personagens do mundo da bola fazem parte do mesmo "bolo".

A "Seleção do Panamá" poderia ser escalada com o presidente argentino, Mauricio Macri, no gol; um linha de defesa 'real' com o ex-Xeique do Catar na direita, Príncipe da Arábia Saudita pela esquerda, o Xeique dos Emirados Árabes como terceiro zagueiro e, fechando o "ferrolho", o líder russo Vladimir Putin (que não é rei, mas tem um na barriga); o "padrão-ético Fifa" está na meia-cancha com o carbonero Juan Pedro Damiani, o gênio Michel Platini e, chutando tudo pelo traseiro, Jerôme Valcke; o capitão é Lionel Messi, livre para "sacar", ou melhor dizendo, pifar a dupla "ministerial" da Islândia e da Geórgia.

Conforme o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ficaram ainda no "banco de reservas" mais de uma centena de políticos e jogadores de futebol que movimentaram dinheiro no submundo da economia global do mundo. O técnico dessa "seleção" é conhecido por "Mossack Fonseca" - nome da empresa que teve o acervo de 11,5 milhões de registros financeiros revelados.

Neymar que já foi acusado de sonegação e fraude não foi "convocado" para a "Seleção do Panamá".

- Injustiça!, gritaria um brasileiro nas manifestações da Paulista.

- Isso é golpe!, bradaria um simpatizante do expoente máximo do futebol brasileiro.

Nessa "copa do mundo" da malandragem, nós brasileiros - incrivelmente - perdemos espaço. Mas todos nós, cidadãos pagadores de impostos e de ingressos, ficamos em estado catatônico com essa lavagem de dinheiro.

(Será que sou eu o único trouxa por aqui?, fico me perguntando.)

Na verdade, o Panama Papers "só" revelou o que todo mundo por aqui já desconfiava: a atitude de levar vantagem, o jogo político e a ganância pelo poder é um mau enraizado no DNA da sociedade contemporânea.

Texto originalmente publicado no meu blog no Torcedores.com

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