OPINIÃO

Nasce um herói no Grêmio: Miller Bolaños

07/04/2016 11:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02
Lucas Uebel via Getty Images
PORTO ALEGRE, BRAZIL - MARCH 02: Miler Bolanos of Gremio celebrates their first goal during the match Gremio v Liga de Quito as part of Copa Bridgestone Libertadores 2016, at Arena do Gremio on March 02, 2016 in Porto Alegre, Brazil. (Photo by Lucas Uebel/Getty Images)

Um equatoriano, negro, esguio e que ainda tem dificuldades com o português. Tire o futebol do corpo de Miller Bolaños e assim seria uma breve descrição do jovem de 25 anos que desembarcou a pouco tempo atrás em Porto Alegre. Hoje, depois de marcar um gol na sua estréia com a camisa do Grêmio e uma mandíbula fraturada no Gre-Nal, Bolaños nasce como um herói tricolor.

Em pleno carnaval, enquanto o torcedor gremista comemorava a contratação de Henrique "Camarote" Almeida, a "operação Bolaños" foi deflagrada pela direção do tricolor. Rui Costa, diretor-executivo do clube viajara em avião particular para fechar a grande contratação do Grêmio para a temporada.

Surpresa em meio a redações vazias e torcedores na folia.

A imagem de Bolaños com a camisa tricolor elevou a moral dos torcedores gremistas. Era o que faltava. Um "Killer", um matador para o produtivo ataque gremista, mas que quase sempre pecava nas conclusões. E mais: um jogador que "hablava" a lingua da Libertadores da América - o grande objetivo da temporada tricolor.

A recepção pela torcida foi grande e a sua integração ao grupo principal foi imediata. Miller era uma joia sendo preparada para brilhar no momento certo. Faltavam apenas documentos para a estréia do jogador que, assim como o torcedor, assistia o momento de instabilidade da equipe devido a derrota na estréia da Libertadores e as vitórias que não inspiravam confiança.

Como no roteiro dos grande personagens do mundo da bola, a estréia de Bolaños ficou marcada para o início da hora da verdade para o Grêmio. O jogo contra a LDU era o início de uma sequência decisiva para o tricolor. Era o momento de brilhar, de ter Bolaños na equipe e transformar as dúvidas em certezas.

E foi assim que aconteceu.

O tricolor goleou a LDU e mostrou um futebol digno de postulante a título da Libertadores. E Miller Bolaños? Teve a estréia dos sonhos: marcou um gol, assumiu a responsabilidade do ataque e fez a equipe crescer como um todo. A sinergia com a torcida e a confiança para os outros jogos decisivos havia voltado. O "efeito Bolaños" começava a preocupar os adversários.

Gre-Nal na Arena. Recorde de público. Bolaños frente a frente com o maior rival do tricolor. Um jogo que vale sempre muito mais do que pontos, sempre um momento histórico. E na história, esse Gre-Nal 409 já é conhecido como "o Gre-Nal de Bolaños" - infelizmente para o jogador.

Logo na primeira movimentação do ataque gremista, Miller recebeu a bola na entrada da área adversária e chutou para fora. Era um início promissor do estreante no clássico. Mas já na sua próxima aparição no jogo, ele sentiria o poder do cotovelo do adversário.

Bolaños quebra a mandíbula em duas partes, fica com o rosto desfigurado, mas incrivelmente continua no partida até o intervalo, sofrendo com a impiedosa marcação adversária.

Ao final da partida, a notícia que Bolaños está no hospital, somada a revolta dos dirigente tricolores acende o debate em torno da cotovelada sofrida pelo atacante. Porém dentre tudo que está sendo dito sobre o assunto, algo está sendo revogado: o fato de que Bolaños ficou jogando quase 45 minutos com o rosto fraturado. Uma demonstração de perseverança, uma atitude que revela uma personalidade guerreira do atleta tricolor.

Assim nascem os heróis.

Quando são colocados à prova, não decepcionam. E quando estão feridos, ignoram a dor e demonstram capacidade de superação. Miller Bolaños nasce como herói gremista. A mandíbula fraturada em duas partes é o capítulo da história em que ele se tornará ainda mais forte para ajudar o Grêmio a conquistar o tão sonhado título da Libertadores.

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Publicado originalmente no meu blog no Torcedores.com

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