OPINIÃO

O Estado Islâmico leva a França ainda mais à direita

07/12/2015 21:51 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
DENIS CHARLET via Getty Images
TOPSHOT - The president of the French far-right Front National party Marine Le Pen reacts after the announcement of the results of the first round of the regional election in the Nord Picardie region on December 6, 2015 in Henin-Beaumont. Marine Le Pen and her 25-year-old niece Marion Marechal-Le Pen broke the 40-percent mark in their respective regions, shattering previous records for the party. AFP PHOTO / DENIS CHARLET / AFP / DENIS CHARLET (Photo credit should read DENIS CHARLET/AFP/Getty Images)

É possível que, como Bin Laden, Al Baghdadi tenha o hábito de acompanhar as notícias do Ocidente nas grandes redes internacionais de TV. Se for o caso, o califa deve estar seguindo os resultados das eleições na França de seu abrigo espartano, talvez na própria France 24.

Certamente não haveria motivos de comemoração para o califa, mas ele teria pelo menos alguma satisfação: o crescimento dos partidos políticos de direita nas eleições europeias era um dos resultados previstos e esperados por Al Baghdadi em seu plano de desestabilização e conquista da Europa. Como diz Maurizio Molinari em seu livro mais recente, Jihad, o "lorde do ISIS" descreve repetidamente o crescimento dos partidos de extrema direita como uma das consequências positivas dos ataques na Europa. Uma crescimento que, segundo as previsões do grupo terrorista, criaria as condições de intolerância propícias para a radicalização de cada vez mais jovens muçulmanos.

"A política como a conhecemos já foi dominada pela conversa de guerra."

Seja o califa um especialista em política europeia ou não, as eleições regionais na França mostram uma guinada clara à direita. Entre a vitória da Frente Nacional, que repentinamente se tornou o partido dominante na França, com 29,5% dos votos, e a performance dos republicanos de Sarkozy, com 27%, a direita conquistou mais de metade do eleitorado. Não foi um desastre completo para o Partido Socialista, cujos 23% dos votos ficaram um pouco acima do que era previsto; mas essa pequena mudança é um sinal sutil mas bastante claro à luz dos ataques terroristas de 13 de novembro. Esses resultados não permitem nenhum tipo de comentário adicional. Bem, OK: haverá comparações entre Le Pen e Sarkozy. Agora será necessário discutir como a direita não é exatamente racista e xenófoba, mas sim "identitária": uma resposta patriótica dos eleitores decepcionados tanto à direita como à esquerda do espectro político, que não sentem segurança em seus líderes. Et cetera. Tudo isso e mais será assunto das conversas daqui em diante.

Mas, para além de todo esse jargão, a eleição francesa, a primeira depois dos atentados, indica que o pêndulo político está se movendo para a direita. Ela também pode ser um indicador do que veremos na próxima temporada eleitoral na Europa e nos Estados Unidos: a Espanha vai realizar eleições em duas semanas; na Itália, haverá eleições administrativas em seis meses; nos Estados Unidos e na França, haverá eleições presidenciais em 2016 e 2017, respectivamente.

Voltando a Al Baghdadi, não sabemos o que o califa realmente pensa. Mas não há dúvidas de que seus ataques alteraram o equilíbrio de forças no Ocidente. A política como a conhecemos já foi dominada pela conversa de guerra. Apesar das tentativas de lidar com essa guerra nas últimas semanas, das brigas internas no Partido Trabalhista britânico ao espírito belicoso na Holanda, até agora coube à esquerda lidar com a guerra: tudo na expectativa da próxima votação.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Itália e traduzido do italiano.

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