OPINIÃO

Por que matricular seus filhos em uma Escola Pública é importante

Participe da vida escolar deles. Essa é uma atitude que muda o Brasil. Essa é a maior revolução que a sociedade civil pode fazer no país hoje. Coragem.

08/06/2017 14:37 -03 | Atualizado 12/06/2017 11:05 -03

Arquivo/Agência Brasil

Recentemente, coloquei essa afirmação no meu Facebook e o interesse foi tão grande que decidi buscar mais argumentos para justificá-la. Os principais pontos que me fizeram acreditar nisso foram:

1. O valor que o Brasil investe por aluno na educação pública

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil teve o maior crescimento proporcional em investimento na educação pública entre mais de 30 países. Considerando o valor total investido pelo governo, é como se o Brasil pagasse uma mensalidade de R$1.120,00 para cada um de seus filhos.

2. O gasto médio familiar com educação particular

O valor médio da renda familiar comprometida com a escola particular dos filhos deve ser de 15%, segundo os especialistas, e, em média, cada família tem dois filhos. Considerante isto, podemos afirmar que, se o valor investido por aluno pelo Brasil fosse 15% da sua renda familiar, a sua família precisaria ter uma renda de R$36.000,00 por mês. Ou seja, o Brasil paga por mês uma mensalidade que você só conseguiria pagar se fosse da Classe A1, a mais alta segundo os padrões de renda média familiar do Brasil.

3. O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras

A parcela de famílias inadimplentes e sem condições de quitar débitos deve continuar a crescer no curto prazo, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a parcela de famílias endividadas em janeiro era de 55,6% do total de famílias consultadas.

Considerando que ninguém quer deixar de pagar o que deve, mas que, segundo pesquisa da FECOMERCIOSP, 35,9% das famílias endividadas comprometem sua renda por mais de um ano com dívidas; 24,7% até três meses; 19,9% de três a seis meses; e 17,2% comprometem sua renda entre seis meses e um ano, podemos afirmar que estamos longe de garantir um cenário favorável para as contas familiares se as despesas mensais não forem reduzidas.

4. O número de horas trabalhadas por semana está aumentando (e é pior ainda entre as mulheres)

Os dados estão destacados em um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo é feito com base em séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas e a dos homens, de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%.

5. A maioria das famílias jovens brasileiras precisará ter um plano de previdência privada como alternativa à aposentadoria pública

O Brasil passa por um momento de debate sobre os modelos de aposentadoria desde que, em dezembro de 2016, o presidente Michel Temer enviou ao Congresso a proposta de reforma da Previdência, que deve endurecer o acesso à aposentadoria. A restrição ao acesso à aposentadoria pública deve levar muitos trabalhadores aos planos privados. Relator da reforma da Previdência na Câmara, o deputado Arthur Maia (PPS-BA), afirmou em um evento: "Aposentadoria é subsistência. Quem quiser ter vida melhor faça outro tipo de poupança". Os planos de previdência privada não estão ligados ao sistema do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Eles são alternativas à aposentadoria paga pelo governo e costumam funcionar como complemento.

Se você está trabalhando como nunca para pagar suas dívidas, manter a mensalidade da escola em dia e ainda não tem tempo para praticar atividade física, imagina o quanto você deveria estar preocupado de ainda não ter feito um plano de previdência privada?

6. A solução está no compromisso dos pais com a vida escolar dos seus filhos

Há um consenso entre educadores, professores e estudiosos sobre os efeitos da participação dos pais na educação escolar e no desempenho das escolas. Nas últimas décadas, os pais passaram a ser estratégicos para políticas públicas de educação em diversos governos. Nos Estados Unidos, a participação das famílias virou assunto de uma secretaria exclusiva, que planeja como envolver os pais na escola para ajudar a diminuir as diferenças de aprendizado entre os mais ricos e os mais pobres.

CONCLUSÃO:

Matricular seus filhos em uma Escola Pública e participar ativamente da vida escolar deles é a maior revolução que você pode fazer hoje. Ela exige coragem e compromisso, mas se você transformar isso em oportunidade, você estará deixando de investir R$2.240 por mês do seu orçamento familiar. Isto poderá ajudar a reduzir as horas trabalhadas para inclusive ficar mais com os seus filhos e sua família; praticar algum tipo de atividade física que previna e melhore sua saúde para não depender tanto do sistema público e da previdência social; ajuda você a quitar as dívidas do cartão de crédito e outras pendências que sobraram da Era do Consumo dos últimos 10 anos. Ainda abre espaço para, talvez, você adquirir um plano de previdência privada e até guardar um pouco de dinheiro para o futuro.

A Escola Pública não é a ausência de alternativas. É uma escolha revolucionária.

Um exemplo real dessa mudança está na série Educação.doc

E nunca se esqueça de dois mitos sobre a vida escolar:

1. Nas escolas particulares, meu filho tem futuro.

2. Nas escolas públicas , meu filho não tem futuro.

Simplesmente isso não é verdade.

Sei que não estou 100% correto, mas vale o esforço de refletir sobre isso.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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