OPINIÃO

Se o prêmio Nobel fosse uma pessoa, certamente seria um homem branco

Historicamente, somente 3% dos prêmios foram dados a mulheres cientistas, mesmo elas sendo cerca de 40% das PHDs.

10/10/2017 14:16 -03 | Atualizado 10/10/2017 14:16 -03
AFP/Getty Images
Este ano, ao olhar o quadro de reconhecidos, certamente figuras ilustres e merecedoras de estar ali, algo me chamou a atenção. Cadê as mulheres?

Sabemos que o Prêmio Nobel é realizado em uma soma de premiações e reconhecimentos para avanços científicos e culturais internacionais anuais concedidos em várias categorias por comitês. E mais ainda que esse é um prêmio respeitado globalmente e que a cada ano ecoa nas nações do mundo, chamando atenção para os nomes mais proeminentes e transformadores entre nós.

Certamente um legado que traz consigo muita responsabilidade. E por isso deve ser constantemente observado e melhorado, refletindo os desafios da sociedade. Este ano, ao olhar o quadro de reconhecidos, certamente figuras ilustres e merecedoras de estar ali, algo me chamou a atenção. Cadê as mulheres? Cadê os negros? Cadê a diversidade?

Em 2017, nenhuma mulher e nenhum negro foi reconhecido pelo Prêmio Nobel. Historicamente, somente 3% dos prêmios foram dados a mulheres cientistas, mesmo elas sendo cerca de 40% das PHDs. Aliás, desde que o Nobel foi instituído em 1901, as mulheres foram premiadas 18 vezes. Os homens, 581 vezes.

Os negros, de forma geral, têm sido destinatários somente de três categorias: Literatura, Paz e Economia. Para quem não se lembra, em 2007, o vencedor do Nobel, James Watson, co-descobridor da estrutura do DNA, disse que os africanos seriam menos inteligentes. Comprovando claramente que nem todos os agraciados com o Prêmio são necessariamente pessoas sábias.

É como se as mulheres e os negros só tivessem chance real de serem reconhecidos em prêmios realizados com foco em mulheres ou negros. Em premiações nas quais todos concorrem, há apenas um mesmo grupo que é reconhecido.

Lembro aqui do filme Hidden Figures, traduzidas suavemente para o português como Estrelas além do tempo. Será que ainda hoje continuamos a esconder figuras proeminentes, que estão transformando o mundo, mas não estão sendo conhecidas e reconhecidas globalmente por sua etnia ou gênero?

Vale refletir e debater para que as próximas premiações sejam uma expressão da humanidade, tal como ela é. Com espaço e visibilidade para todos.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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