OPINIÃO

Aqueles que dizem que a crise de refugiados não é nosso problema é que são o problema

Quase 900 mil refugiados do Sudão do Sul vivem agora em Uganda.

10/07/2017 18:05 -03 | Atualizado 10/07/2017 18:05 -03
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Atualmente, há meio milhão são crianças no campo de Uganda. É a crise de refugiados que cresce mais rápido no mundo.

No mês passado, voltei de viagem de uma bela parte do mundo. Um continente pelo qual sou apaixonado desde os meus vinte e poucos anos de idade, quando morava no Zimbábue. Desta vez, as pessoas maravilhosas da Visão Mundial, para quem faço um pequeno trabalho, me convidaram para ir ao norte de Uganda e visitar um lugar chamado Bidi Bidi.

Lá eu descobri o maior campo de refugiados do planeta. 280 mil refugiados do Sudão do Sul, que fugiram da extrema violência do lugar onde viviam. Esse número corresponde à população de Newark, em Nova Jersey (EUA), ou de Nottingham, no Reino Unido.

Há um ano, o Acampamento de Refugiados Bidi Bidi nem existia. No mês passado, estava cheio. Novos campos tiveram que ser urgentemente instalados.

Quase 900 mil refugiados do Sudão do Sul vivem agora em Uganda. Meio milhão são crianças. É a crise de refugiados que cresce mais rápido no mundo. Uganda está longe de ser um país rico, mas eles abriram suas fronteiras para um grande fluxo de pessoas que fugiram do conflito.

Eu nem sempre estou de acordo com o governo ugandense. No entanto, eles têm uma política de refugiados das mais progressistas, esclarecidas e compassivas do mundo. Fornecem lotes de terra para cada família construir uma casa, cultivar e se alimentar. Os refugiados podem viajar livremente, trabalhar, começar seus próprios negócios e ter acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

Compreensivelmente, Uganda está sob a pressão de acomodar tantas pessoas. Mas eles continuam a mostrar preocupação com seus companheiros africanos.

Organizações como a Visão Mundial, o Comitê Internacional de Resgate e a Unicef estão fazendo o que podem para ajudar também. Mas é uma questão difícil quando sabemos que eles só possuem cerca de 15% dos fundos que precisam para responder a essa emergência. Como consequência direta disso, o Programa Mundial de Alimentos anunciou recentemente que foram forçados a cortar rações de alimentos.

Eu vi fugitivos de guerra, cansados e famintos, chegarem a um país acolhedor como Uganda. São imagens que não vou esquecer. Exorto a comunidade internacional a avançar rapidamente para compartilhar a responsabilidade por esta crise. Aqueles que dizem que isto não é nosso problema são o problema.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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