OPINIÃO

Cervejaria Dogma: eleita a melhor do Brasil pelo RateBeer

23/02/2016 15:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Os bebedores avaliaram e ela foi a escolhida. No início de fevereiro, a cervejaria Dogma recebeu o prêmio de melhor cervejaria do Brasil no festival RateBeer Best 2016, organizado pelo site norte-americano RateBeer. Para quem não conhece, o site reúne as avaliações de consumidores do mundo todo durante um ano. Não há júris. Sou eu, você, seu vizinho de porta ou o desconhecido a países de distância quem avalia as características sensoriais das cervejas provadas ao longo do ano.

Com apenas sete meses de existência, a Dogma levou a melhor. Apesar da curta história cronológica, os sócios Luciano Silva (ex-Noturna), Leonardo Satt (ex-Prima Satt) e Bruno Moreno (ex-Serra de Três Pontas) têm estrada e carreira consolidada há tempos no mercado. A fusão surgiu do desejo de aprimorar a produção e a distribuição de alguns rótulos individuais já importantes no mercado e também para criar novos, enchendo ainda mais o setor brasileiro com cervejas criativas e espetaculares ao primeiro gole.

Vamos levar a cerveja brasileira para o mundo. A cervejaria Dogma ganhou o prêmio de melhor cervejaria brasileira de...

Publicado por Cervejaria Dogma em Domingo, 31 de janeiro de 2016


O portfólio da Dogma contém sete estilos muito diversos e agradam a todos os gostos. Tem Imperial Porter, Wee Heavy, American IPA... Eu já provei quase todos e garanto: vocês não vão se arrepender. Sugiro duas em especial: a Cafuza, uma Imperial Black IPA que abalou as estruturas em 2013, quando era fabricada antes da união dos sócios. Essa cerveja acompanha desde uma carne assada a uma sobremesa com chocolate e reúne notas sensoriais cítricas, de café e chocolate. Outra dica é a Panopticon Times, uma Belgian Saison que eu experimentei no Cartel Cigano e caiu muito bem com o clima quente do dia, pois é uma cerveja equilibrada e leve.

Não conhece a Dogma? Nunca provou nada e ficou curioso? Antes de correr para encher o copo, veja a conversa que eu tive com o Bruno Moreno sobre o prêmio, concursos e, claro, sobre a Dogma e o que suas mentes criativas nos reservam para 2016.

Saúde!

A Dogma foi criada em julho de 2015 e em menos de um ano recebeu essa premiação do Ratebeer. Como receberam essa notícia? Pensaram nos fatores que podem ter levado a Dogma a essa premiação?

Apesar de apenas sete meses de vida, nosso trabalho dentro da cerveja já vinha sendo reconhecido pelos consumidores no aplicativo Untappd enquanto as marcas estavam separadas. Antes da junção, no ranking e cervejarias brasileiras, as antigas marcas já figuravam entre as melhores do Brasil, inclusive uma delas já estava posicionada como a melhor cervejaria brasileira no ranking do app, o que indicava que estávamos no caminho certo. Apesar disso, definitivamente não esperávamos esse prêmio, pois apesar de ótimas avaliações no site nosso número de avaliações era muito pequeno. A prova de que não esperávamos é que na premiação eu não entendi o que o mestre de cerimônias falou e pensei "certeza que o que ele disse não é Dogma" então não fui buscar a medalha. Fui descobrir depois, quando o Joseph Tucker (dono do RateBeer) me perguntou porque não fui buscar a medalha.

Qual a relação da Dogma com premiações? Vocês se inscrevem em prêmios nacionais e internacionais? Já receberam mais prêmios?

Nós valorizamos mais o feedback do consumidor do que de concursos, por isso não nos inscrevemos em muitos concursos. Ano passado produzíamos a Cafuza na Tupiniquim e eles inscreveram a cerveja no Concurso Brasileiro, onde ganhamos medalha de bronze com ela.


Vi uma declaração sua em que explica que esse prêmio é muito importante porque é uma avaliação do consumidor e não de juízes, que se apegam aos critérios que levam aos estilos específicos das cervejas. Com esse prêmio, consideram que a Dogma já conseguiu desvendar o paladar do consumidor? Acredita que o bebedor se apega as características sensoriais da cerveja e analisa sua compatibilidade com o estilo descrito no rótulo ou apenas se entrega à degustação?

Acho que desvendar o gosto do consumidor é um pouco amplo, se o cara não gosta de IPA ele já não vai gostar de metade das nossas cervejas! Acho que estamos conseguindo agradar o nosso público alvo, que é o que chamamos de Beer Geek, esse é o público mais exigente, que realmente estuda e entende o que esta bebendo e para agradá-lo temos que fazer um produto de alta qualidade, o que acaba ajudando a conquistar o consumidor que não é tão ligado assim e só quer beber algo interessante.

Quanto ao consumidor, eu acho que ele se guia pelo estilo, mas não se apega a guias de estilo. Sendo assim, acredito que ele se entrega mais à degustação do que analisa a compatibilidade com um estilo. Basicamente você nunca vai ver algo do tipo: "nossa que cerveja foda!!! Mas dei só três pontos porque não se enquadra no estilo". Por isso eu me apego mais ao feedback deles do que de concursos, por que acredito que esse é um indicador melhor. Eu só gostaria de deixar claro que não tenho nada contra concursos, acho o feedback técnico muito importante para evoluir possíveis defeitos, mais importante que a própria medalha em sí.

Como é o processo de criação das cervejas da Dogma (insumos, adição de produtos...)? Quais características levam em conta para a elaboração de um novo rótulo?

Uma boa receita começa com muito estudo. Você precisa conhecer bem os insumos que escolhe e as técnicas que envolvem a utilização deles. Antes de fazer uma receita eu faço uma espécie de organização mental de como eu quero que ela fique e a partir disso eu vou desenvolvendo a receita utilizando os insumos e técnicas que eu conheço. Por isso eu digo que o estudo é importante, você pode ser muito criativo, mas se seu cabedal de insumos e técnicas for pobre você será sempre limitado.

Fale um pouco sobre as escolhas dos nomes e identidade visual.

A identidade visual da Dogma foi feita pelo estúdio FORM, com parceria do ilustrador Caio Stolf. A idéia é transmitir sempre algo além da cerveja, por isso damos importância às ilustrações e aos nomes das cervejas. Nós não queremos que uma cerveja nossa seja só mais uma, queremos que o consumidor tenha uma experiência completa, então procuramos colocar a complexidade que existe no líquido também no rótulo. Essa busca deu origens a nomes como Orfeu Negro que usa a obra do Vinícius de Moraes e Panopticon Times que usa um modelo social pra explicar o que aquela cerveja representa.

Como é a distribuição das cervejas pelo país?

Nós trabalhamos quase que exclusivamente com distribuidoras, dando preferências às que trabalham com cadeia refrigerada. Nosso principal parceiro é a Multibeer, que faz um trabalho excepcional aqui em São Paulo mantendo nosso produto sob refrigeração da saída do tanque até a chegada ao ponto de venda, o que é extremamente importante para manter o frescor e qualidade das nossas cervejas (que são todas não pasteurizadas). Além de São Paulo estamos presentes em Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro, Paraná, Goiás, Distrito Federal e Maranhão.

Continuarão a ser uma cervejaria cigana ou há projetos de uma fábrica própria?

Ser cigano é bom, nos dá liberdade e não exige um investimento gigantesco, mas o sonho da cervejaria própria, ou de pelos menos um brewpub, existe sim!


Qual cerveja do portfólio indicaria para iniciar o leitor do HuffPost Brasil que nunca provou uma Dogma?

Acho que depende. Se é um consumidor que ainda não está acostumado com cervejas mais amargas e agressivas nos sabores eu recomendo a Panopticon Times que é uma Saison com cajá, essa cerveja tem amargor e teor alcoólico menores, mas entrega uma grande complexidade de aromas e sabores. Mas se o consumidor já gosta de cervejas mais fortes acho que o ideal pra nos conhecer é a Touro Sentado, que é uma IPA bem refrescante e com muito aroma e sabor de lúpulo!

Novidades para todo o ano 2016?

Nosso objetivo esse ano é nos aproximar ainda mais do público. Nosso principal projeto é a próxima cerveja de linha, que fará companhia para a Cafuza, Hop Lover e Touro Sentado. Nesse projeto queremos que o nosso consumidor nos ajude a escolher qual deve ser a nossa próxima cerveja. Além disso, começamos nosso Sour Project, que são cervejas ácidas que passam por barris de vinho e também nossoBarrel Project que são cervejas envelhecidas em barris de destilados. A primeira cerveja a envelhecer será a Orfeu Negro, que irá descansar em barris de Bourbon e de Cachaça. Mas os resultados devem aparecer só em 2017. Fora isso, pretendemos lançar pelo menos quatro novos rótulos e fazer novamente algumas receitas que deixaram saudade ano passado.

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