OPINIÃO

Quando me preparar para a aposentadoria?

09/12/2014 16:42 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Ugurhan Betin via Getty Images

O melhor momento para começar a investir na aposentadoria é agora. Ou melhor, foi ontem.

Quando se fala em aposentadoria, vale a lógica do quanto mais cedo, melhor. Apesar disso, os especialistas passaram muito tempo dando atenção apenas aos anos logo antes do encerramento da vida profissional. Isso se refletiu nos programas tradicionais de preparação para a aposentadoria, que visavam os trabalhadores a dois ou três anos de deixar o trabalho. Nesse período, organizavam-se palestras sobre tópicos importantes, mas o tempo restante não permitia uma boa preparação. Imagine o planejamento financeiro, por exemplo. Seu fim é alcançar finanças bem organizadas, que permitam suprir as necessidades e manter o conforto pelos próximos 15 ou 20 anos - pensando na expectativa de vida em torno dos 80 anos. Mesmo para quem têm um bom salário, não é uma missão simples. Fazer isso em apenas dois ou três anos, então, é uma missão praticamente impossível.

Agora pense em outras situações nas quais alguma preparação também seria bem vinda. Por exemplo, o vestibular. Quando se fala em preparação para o vestibular, o modelo tradicional são os cursinhos preparatórios. Alguns anos antes das provas para ingresso na universidade, ou mesmo no ano anterior, muitos alunos são submetidos a uma rotina alucinante de estudos porque sabem da importância dessa preparação. A família e os amigos não apenas reconhecem o esforço, mas também colaboram para o sucesso do estudante. No entanto, se consideramos as habilidades mais básicas para o sucesso no vestibular, a preparação começa muito tempo antes. São mais de 10 anos praticando leitura e raciocínio matemático, por exemplo, habilidades absolutamente imprescindíveis para o ingresso na universidade.

Na preparação para o vestibular, no entanto, um aluno com deficiência significativa no aprendizado desses conteúdos fica de recuperação ou reprova. Em função do monitoramento contínuo realizado nas escolas (testes e provas), essa deficiência é identificada e tratada (reforço escolar, tarefas extra, testes de recuperação e mesmo a reprovação). Considerando o contexto da vida profissional, no entanto, a ausência desses mecanismos cria um grande risco na educação para a aposentadoria: não há monitoramento ou intervenção estruturadas. Ninguém é advertido pelo chefe ou perde o emprego se não consegue manter sua vida financeira em dia e poupar para a aposentadoria. Como resultado, mesmo profissionais competentes correm o risco de chegar à véspera da aposentadoria sem a reserva necessária para garantir as necessidades básicas e preservar o conforto depois de interromper a atividade laboral.

Por isso, quando se fala em preparação para a aposentadoria, quanto mais cedo, melhor. Um desafio sério aqui, e insuperado até o momento, é o paradoxo familiar a todos os procrastinadores: quando ainda temos muito disponível, a tarefa soa absolutamente desinteressante e nos esquivamos dela com perícia incomparável; mas quando o tempo está no fim, desabrocha um interesse intenso, real, inédito, e... frequentemente inócuo, pois nem sempre é possível compensar o tempo perdido.

Em tempos de trabalhadores e instituições ansiosos pela boa preparação para a aposentadoria, a solução não virá de uma intervenção revolucionária. Não é preciso reinventar a roda - ela já foi inventada há muito tempo. Preparação ideal é aquela que favorece, no tempo necessário, o desenvolvimento das principais habilidades necessárias a um bom ajustamento na velhice. Uma solução simples e sob medida para um problema complexo.

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