OPINIÃO

Será 2014 o ano mais quente da história?

08/12/2014 18:35 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

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Nascer do sol na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones.

Entre janeiro e outubro, a temperatura média do planeta ficou 0.57° C acima da média de 14° C registrada no período de referência, entre 1961 e 1990. Se forem considerados os últimos 10 anos, o aumento da temperatura global entre janeiro e outubro foi de 0.09° C.

Por isso, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) acredita que 2014 pode encerrar como sendo um dos anos mais quentes ou até mesmo o mais quente já registrado. Os dados foram apresentados pela agência da ONU em dezembro.

O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, declarou que "as emissões recordes de gases de efeito estufa, associadas a concentrações na atmosfera, estão comprometendo o planeta de uma maneira muito mais incerta e inóspita no futuro."

A temperatura global na superfície do mar foi a maior já registrada, cerca de 0.45° C acima da média de 1961-1990. O fator contribuiu para fortes chuvas e enchentes em muitos países e seca extrema em outros. A OMM destacou, inclusive, a "severa falta de água" na cidade de São Paulo.

Em declarações à Rádio ONU, o vice-presidente da agência, Antonio Divino Moura, disse que 2014 foi um ano muito quente na região sudeste do Brasil e citou a crise no reservatório da Cantareira:

"Comparado com tempos passados, não significa que não tivemos secas grandes. Tivemos, mas a população não era tão grande e não havia tanta demanda por água como neste ano. É um problema sério.", afirmou.

A OMM cita que o Reino Unido enfrentou o inverno mais úmido, com 177% da média de precipitações. Já algumas regiões dos Estados Unidos tiveram períodos de seca. Os estados da Califórnia, Nevada e Texas, por exemplo, receberam 40% a menos de chuvas do que a média do período 1961-1990.

Até meados de novembro, foram registradas 72 tempestades tropicais. O continente africano teve temperaturas acima da média durante os primeiros 10 meses do ano e situação semelhante foi registrada na América do Sul.

A Organização Mundial de Meteorologia afirma que os níveis de dióxido de carbono, de metano e de óxido nítrico atingiram novas altas em 2013. Os dados desde ano ainda não foram processados.

Os níveis de gás carbônico na atmosfera chegaram a 396.0 partes por milhão, ou 142% maior do que a média pré-industrial. É é exatamente a concentração desses gases que leva a temperatura média do planeta a subir, segundo alerta a OMM.

Tentar reverter o quadro é o objetivo da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, que organiza na capital do Peru, Lima, a conferência COP-20. É lá que a atenção mundial está voltada até o dia 12, na expectativa de que representantes de governos definam o esboço de um acordo internacional para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa.

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