OPINIÃO

Missões da ONU usam equivalente a menos de 1% de gastos militares globais

A organização tem missões em 16 países. O Exército Brasileiro está em ação no Haiti.

29/05/2017 18:57 -03 | Atualizado 29/05/2017 18:57 -03
HECTOR RETAMAL via Getty Images
Militares brasileiros são membros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti.

O Dia Internacional dos Boinas-Azuis é celebrado nesta segunda-feira, 29 de maio. A data "homenageia os heróis das Nações Unidas". Desde o início das Missões de Paz, em 1948, mais de um milhão de homens e mulheres serviram à bandeira da ONU "com orgulho, distinção e coragem", destaca a organização.

O orçamento das missões gira em torno de US$ 7,8 bilhões, o que representa menos de 0,5% dos gastos militares globais.

Mortes

Em todos estes anos, mais de 3,5 mil boinas-azuis morreram em serviço, incluindo o sargento brasileiro Vicente Medeiros, no ano passado. Ele servia à Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, Minustah. Medeiros foi um dos 117 homenageados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, numa cerimônia em Nova Iorque na semana passada. O secretário-geral explica que "os soldados de paz se colocam à frente do perigo todos os dias, no meio de grupos armados".

Veja o vídeo especial da ONU em homenagem aos boinas-azuis.

Presença no terreno

As Nações Unidas têm 16 Missões de Paz em quatro continentes, com presença em países como Haiti, Chipre, Mali, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.

Mais de 124 países contribuem com 122 mil integrantes das forças de paz da ONU, incluindo tropas militares, policiais e funcionários civis. Todos trabalham para "salvar vidas, prevenir atrocidades em massa e garantir a paz" nas regiões em que atuam.

Além dos boinas-azuis, existe toda uma operação logística, incluindo 14 mil veículos, 310 clínicas médicas, 158 helicópteros, 54 aviões e sete navios.

Reforma

Em editorial publicado em um jornal americano, o chefe da ONU menciona os casos recentes de exploração sexual envolvendo as forças de paz.

António Guterres reafirma que essas ações "violaram todos os valores das Nações Unidas" e que "combater o flagelo é prioridade da organização". Ele já apresentou um plano aos 193 países-membros para acabar com a impunidade e garantir que todas as missões tenham defensores para os direitos das vítimas.

O chefe da ONU aproveita o dia internacional para lembrar que as próprias Missões de Paz são alvo de extremistas violentos. Para lidar com essa realidade, Guterres quer uma "séria reforma estratégica, baseada na análise dos mandatos, das capacidades das missões e das parcerias com governos".

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