OPINIÃO

Síria: especialista da ONU alerta para civis em "circunstâncias desesperadoras"

01/02/2016 16:27 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

2016-01-20-1453248102-8754253-01192016SyriaFood.jpg

Assistência humanitária chega à cidade de Madaya. Foto: PMA/ Hussam Al Saleh

A especialista da ONU em direitos humanos Hilal Elver alertou que 400 mil pessoas estão vivendo em 15 áreas cercadas na Síria.

Nesta terça-feira, ela divulgou uma nota onde afirma que os civis vivem em "circunstâncias desesperadoras e precisam de assistência urgente".

Fome

A relatora pediu "uma pausa imediata e incondicional nas hostilidades", permitindo que ajuda humanitária e alimentos cheguem a todos na Síria. Elver lembrou que "o conflito brutal continua no país" e agora a fome é mais um peso na vida dos que já enfrentam constante medo da morte.

Segundo ela, os lados em confronto continuam a restringir o acesso a itens essenciais à população. Hilal Elver é relatora da ONU para o direito à alimentação.

Inverno

A especialista destacou que deixar os civis passarem fome durante um conflito é um crime de guerra e pode até ser considerado crime contra humanidade, caso seja provado que a proibição do acesso aos alimentos seja uma ação proposital para causar sofrimento aos civis.

Hilal Elver explica que muitas famílias sírias estão sitiadas e a comida está escassa e cara. Assim, a "fome é uma grave ameaça que afeta mais de 4 milhões de sírios" vivendo em áreas onde o acesso é difícil. Com o inverno, a situação só tende a piorar.

Madaya

Segundo relatos, na cidade de Madaya, 23 pessoas já morreram de fome, incluindo crianças. Outras sofrem de desnutrição aguda.

Elver teme que o risco de passar fome é real para 42 mil habitantes de Madaya.

Agências da ONU com o Crescente Vermelho Árabe e a Cruz Vermelha conseguiram entregar ajuda na manhã desta terça-feira nas cidades de Foua, Kafraya, Zabadani e Madaya. As organizações levaram combustível, comida e medicamentos.

Conselho de Segurança

Em 15 de janeiro, a secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários, Kyung-Wha Kang, falou ao Conselho de Segurança que "cerco e fome são usados como armas de guerra de forma rotineira e sistemática na Síria, com consequências devastadoras para os civis".

Kang declarou ainda que "um cerco que impede o acesso das pessoas à ajuda básica necessária para sobreviver é ilegal, inaceitável e sem consciência".

Acompanhe mais notícias da Rádio ONU.

LEIA MAIS:

-OMS lança guia para reduzir mortes maternas e de bebês

-Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: onde já avançamos?

Também no HuffPost Brasil:

Gatos abandonados na Síria

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: