OPINIÃO

Cerca de 230 milhões de crianças vivem em países e áreas de conflitos armados, segundo a ONU

30/03/2015 18:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

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Crianças no Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Ilya Medvedev

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou que, segundo estimativas, cerca de 230 milhões de crianças vivem em países e áreas onde há confrontos de grupos armados. Até 15 milhões de menores foram diretamente afetados pela violência.

Ban Ki-moon fez a declaração durante um debate no Conselho de Segurança sobre crianças e conflitos armados, realizado em 25 de março. Ele afirmou que 2014 foi considerado um dos "piores" anos para menores em zonas de combates e guerras.

O chefe da ONU lembrou ainda que "desde a última vez em que falou ao Conselho sobre este tema, há um ano, centenas de milhares de crianças foram confrontadas com emergências ou intensificação de conflito". Os menores também foram vítimas de "novas e graves" ameaças de grupos armados.

Tortura

E os relatos dão conta de que as crianças são vítimas de "algumas das piores violações de direitos humanos incluindo morte, ferimentos, prisão e tortura, abuso sexual, recrutamento forçado e sequestro".

No discurso, Ban citou grupos como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, (ISIS, que atua no Oriente Médio), e o Boko Haram (Nigéria), "não apenas constituem uma ameaça à paz e segurança internacionais, como muitas vezes têm meninas e meninos como alvos". Segundo a ONU, a situação é clara: as crianças "têm o direito de serem protegidas em suas escolas, casas e comunidades".

Uma semana antes da reunião, o enviado especial do secretário-geral sobre a Educação Global, Gordon Brown, afirmou que "ataques terroristas em escolas estão no nível mais alto em quarenta anos".

Durante uma passagem pela ONU, em Nova York, o ex-primeiro-ministro britânico lembrou que "houve mais de 10 mil ataques a escolas nos últimos cinco anos" e que 28 milhões de meninos e meninas estão fora das salas de aula por causa de conflitos e situações de emergência.

Crianças-soldado

Brown mencionou o sequestro de 89 meninos sul-sudaneses, retirados da sala de aula à força, há um mês. Para Brown, não resta dúvida de que os meninos vão ser treinados como crianças-soldado.

Ele citou ainda o ataque a uma escola na cidade paquistanesa de Peshawar que deixou 140 crianças mortas, há três meses, e o sequestro, há quase um ano, de mais de 200 meninas de uma escola na Nigéria, pelo grupo Boko Haram.

O enviado especial afirmou ainda que, por causa do conflito na Síria, um milhão de crianças se tornaram refugiadas e mais um milhão estão deslocadas internamente. A maioria não está mais estudando.

Para o ex-premiê britânico, 2015 é o ano de pôr fim às violações dos direitos da criança. Ele vê nesses ataques uma "tática crescente", de sequestro crianças para transformá-las em armas de guerra.

Para Gordon Brown, é hora de a comunidade internacional 'acordar' para o problema, pois segundo ele, muitas crises não têm mais a atenção do mundo.

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