OPINIÃO

10% dos homicídios cometidos em todo o mundo em 2012 ocorreram no Brasil

14/12/2014 09:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

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Foto: ONU/Rick Bajornas

Três agências da ONU publicaram juntas um relatório inédito sobre a prevenção da violência em escala global. O estudo aponta o homicídio como a terceira maior causa global de morte para homens entre 15 e 44 anos, destacando a necessidade de ação decisiva para prevenir a violência.

Segundo o documento, 10% dos homicídios cometidos em todo o mundo em 2012 ocorreram no Brasil. Este percentual equivale a mais de 47 mil casos.

Este número, por exemplo, é muito maior que os 10 mil casos registrados em países de baixa e média rendas da Europa no mesmo ano.

O estudo, que analisa 133 países,foi divulgado na quarta-feira, 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos, pela Organização Mundial da Saúde, OMS, o Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud e o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc.

Segundo o relatório, 475 mil pessoas foram vítimas de homicídio no mundo, em 2012. As Américas foram a região com maior índice para cada 100 mil habitantes, 28,5%.

Apenas um terço dos países está implementando iniciativas de larga escala para prevenir a violência. E apenas metade aplica por completo um conjunto de leis neste sentido.

De acordo com o documento, o Brasil implementou totalmente as leis contra o casamento infantil, contra a mutilação genital feminina e contra o abuso de idosos. Mas o país aplica parcialmente outras, como a lei contra armas nas escolas, contra o estupro dentro do casamento e contra a violência sexual.

O estudo cita ainda dados da violência contra crianças, mulheres e idosos e do índice sobre o consumo de álcool per capita. Além disso, menciona campanhas de prevenção à violência e serviços de assistência em saúde mental para as vítimas.

Apesar de indícios de que as taxas de homicídio caíram em 16% em todo o mundo entre 2000 e 2012, o relatório aponta que a violência permanece generalizada.

Em todo o mundo, uma em cada quatro crianças sofre abusos físicos. Uma em cada cinco meninas já foi abusada sexualmente e uma em cada três mulheres foi vítima de violência física ou sexual cometida pelo próprio parceiro.

Leis contra o estupro existem em quase todos os países avaliados e 87% deles, têm leis contra a violência doméstica. Ainda segundo o estudo, metade das 133 nações avaliadas têm programas para evitar violência contra a mulher.

No entanto, menos de um quarto destes países tem campanhas de informação pública para prevenir abusos de idosos. O relatório traz ainda o índice de consumo de álcool per capita entre adultos brasileiros, que chega a ser de 8,7 litros em média, por ano.

As três agências destacam que as consequências da violência física, mental ou sexual muitas vezes permanecem ao longo da vida da vítima e podem até contribuir para casos de câncer, doenças do coração e Aids. As Américas são a região que tem a maior proporção de países com serviços de saúde mental para as vítimas da violência, 71%.

O relatório pede, entre outras coisas, o aumento de programas de prevenção à violência em todos os países. O objetivo é que o estudo seja usado por governos, organizações não governamentais e especialistas para ajudar a identificar lacunas e guiar novas ações.

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