OPINIÃO

O brasileiro não quer saber de impeachment

05/11/2015 02:14 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook

É, eu sei. É bastante esquisito que um dos líderes do movimento que mais luta pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff escreva um artigo dizendo que o brasileiro não quer saber de impeachment. Mas essa é a verdade. E ela não é necessariamente algo ruim.

Mesmo depois do escândalo do mensalão, boa parte da população manteve sua esperança no Partido dos Trabalhadores.

É inegável que, durante o governo Lula, as condições sociais e econômicas do país melhoraram. Se isso aconteceu por causa dele ou apesar dele, é outra questão. O ponto é que o brasileiro ainda não via motivos suficientes para desacreditar no PT ou no Lula.

Se durante o seu governo o País melhorou tanto, como ele poderia ser o mentor de um esquema de corrupção absolutamente golpista? É claro que ele não sabia de nada. Ao menos, era o que parecia.

Com o escândalo do petrolão, a aura de honestidade que pairava sobre os paladinos do PT evaporou.

O partido que entoava o mais ferrenho discurso anti-corrupção fora flagrado protagonizando o maior esquema de corrupção da história do mundo.

Ainda assim, o partido ainda mantinha um expressivo apoio popular. Com uma população acostumada a ver a canalhice de diversos setores da classe política todos os dias nos jornais, não foi tão difícil controlar os danos proporcionados pelo escândalo.

O governo do PT roubou? Ué, os governos anteriores também roubaram, mas agora o filho da empregada anda de avião.

Membros da alta cúpula do partido foram julgados e condenados? E daí? Agora o filho do metalúrgico está na universidade! O governo largara a estética de vanguardista anti-corrupção para adotar velho discurso malufista: "Rouba, mas faz".

Após a reeleição de Dilma Rousseff, o cenário mudou completamente.

Os escândalos de corrupção continuaram aparecendo, mas as maravilhas econômicas e sociais desapareceram. A conta dos tempos de bonança chegou. E o governo não demorou a passá-la para a população.

Nunca antes na nossa história os números da cotação do dólar, do índice de inflação e da popularidade do presidente da República estiveram tão próximos. O lema tornou-se "Rouba, mas não faz".

A população finalmente reagiu. Em um único ano, foi às ruas nas três maiores manifestações da história do País.

A presidente Dilma Rousseff tornou-se a presidente com o menor índice da aprovação da história.

Ironia do destino: todos esses fatos históricos só aconteceram por causa de um partido liderado por um homem que vivia se gabando de realizar feitos "nunca vistos na história deste País."

Contei toda essa história para mostrar o porquê de o brasileiro estar de saco cheio. Tão de saco cheio que se cansa até na hora de discutir a queda do governo que repudia.

O brasileiro já acreditou, se decepcionou, se indignou. Agora, ele precisa se preocupar com outras coisas. E eu não estou me referindo à carnaval ou futebol. Não vejo o brasileiro como esse ser superficial pintado por alguns. Estou falando de futuro, de ideias, de reformas.

O jovem precisa discutir o rombo bilionário da Previdência. Precisa sair da base desse esquema de pirâmide geracional e buscar alternativas para o seu futuro.

E se baseássemos a aposentadoria de nossos cidadãos em poupança e investimento, ao invés de baseá-la numa dívida eterna?

Pais precisam discutir a educação. Por que eles são obrigados a pagar impostos escorchantes enquanto assistem aos seus filhos estudarem em escolas sem professores e sem infraestrutura?

E se o Estado tirasse o bedelho da educação? E se todos pudessem usufruir de escolas privadas de alta qualidade com vales fornecidos pelo governo?

Empresários e empregados precisam discutir sua própria liberdade... Por que o governo tem que encarecer seus produtos e abocanhar seus salários? Por que o dinheiro que eles suam tanto para conseguir vai direto para empreiteiras e bancos aliados ao governo?

Ninguém mais tem tempo ou saco de discutir a permanência ou queda do governo do PT. Só os membros do governo têm. E eles se preocupam 24 horas por dia em manter seus cargos, esquecendo-se completamente de que sua função é governar, não espernear para manter o poder em suas mãos.

O Brasil já superou sua desagradável experiência com o governo do Partido dos Trabalhadores. Resta ao governo perceber que já foi superado.

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