OPINIÃO

Brasil pautando Brasília

27/11/2015 20:10 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os políticos pautam a sociedade brasileira. Se eles decidem votar cortes na educação, discutimos a pertinência ou não da proposta; se querem a redução da maioridade penal, então passamos a debater a violência; se é a proibição de decotes na Câmara, esquecemos o desemprego, a crise política e o buraco na nossa rua para entrar na esfera muitas vezes surrealista dos debates parlamentares.

À parte os temas momentosos, só nos ocupamos da atuação dos políticos de dois em dois anos, que é quando eles buscam holofotes para se eleger.

Parece que nos esquecemos de que a classe política existe para nos representar, para defender os nossos interesses.

Muito disso se deve à forte propaganda oficial, que endeusa o tal "festival da democracia", colocando o voto como única maneira de se fazer política.

Se há algo que as recentes manifestações nos mostraram, é que devemos inverter essa relação: não apenas podemos como devemos pautar o debate em Brasília.

Boa parte da oposição não queria falar sobre impeachment. Preferia deixar a presidente Dilma Rousseff e o País sangrando até 2018.

O governo, por sua vez, gostaria de focar o debate em aumento e criação de impostos, mas a população mostrou que quer saber mesmo é de corte de gastos.

Ok, conseguimos pautar o debate em Brasília algumas vezes. Mas sempre foi de maneira reativa.

Opositores não querem falar de impeachment? Pressionamos para que falem.

Governo quer tirar mais dos nossos bolsos? Cobramos que corte na própria carne.

Até agora, não propusemos um debate; apenas invertemos o "frame" dos debates já existentes.

Dito isso, será que conseguimos criar uma agenda propositiva?

Neste ano, tive a oportunidade dar palestras para as respectivas juventudes de diversos partidos em vários estados do País.

Praticamente todos os líderes com os quais conversei relataram que houve um grande crescimento em seus grupos nos últimos tempos. Com frequência, me diziam: "Entrei há pouco tempo porque cansei de não fazer nada".

É notório que boa parte da sociedade cansou de apenas assistir ao teatro político e aceitar seus desfechos. Muitos não só querem mudança como querem ser parte ativa dela.

O problema é que a atual estrutura política não fornece ferramentas para essas pessoas dispostas a atuar. Sem meios, toda a vontade dessas pessoas, inclusive a dos jovens, acaba se esvaziando.

Mesmo os membros das diversas juventudes partidárias que conheci estavam visivelmente decepcionados com a falta de dinamismo dentro das legendas.

A estrutura política atual claramente não acompanha o ritmo da sociedade.

Pensando nisso, o Movimento Brasil Livre decidiu criar um caminho para todos aqueles que querem fazer política de uma maneira diferente.

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Nos dias 28 e 29 de novembro, organizaremos nosso primeiro congresso nacional, reunindo especialistas, coordenadores e apoiadores do movimento de todo o país.

No primeiro dia, debateremos políticas públicas dos mais diversos setores, como urbanismo, reforma política, sustentabilidade e relações trabalhistas. Todos esses temas serão tratados em grupos de trabalhos com pessoas de todas as regiões do País.

No segundo dia, além de assistirmos a painéis de debate com profissionais qualificados das mais diversas áreas, votaremos as propostas debatidas no primeiro dia por meio do nosso aplicativo, que será lançado no próprio congresso.

As propostas que forem aprovadas pelos participantes farão parte da plataforma que será defendida pelo movimento a partir de 2016.

O evento será um marco na maneira de atuação do MBL. Com a formulação coletiva dessa plataforma, entraremos definitivamente em debates propositivos. Vamos nos esforçar para pautar as discussões em Brasília.

Você pode se inscrever no congresso clicando aqui.

Se você estava buscando um meio de fazer parte da mudança, encontrou. Eu o espero no congresso do MBL.

Protestos contra o governo Dilma

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