OPINIÃO

Boulos é o novo rosto da velha esquerda autoritária

Segundo a mais nova esperança da esquerda, a reforma trabalhista é criminosa e faz o Brasil "andar para trás 80 anos".

29/11/2017 15:34 -02 | Atualizado 29/11/2017 15:34 -02
NurPhoto via Getty Images
Após entrevista ao HuffPost Brasil, Guilherme Boulos é alvo de críticas de Kim Kataguiri.

Em entrevista absolutamente esclarecedora, Guilherme Boulos mostrou a que veio: dar cara nova à esquerda que utilizou a corrupção como método para implementar um regime autoritário.

Sua posição sobre a reforma trabalhista é patética, para dizer o mínimo. Segundo a mais nova esperança da esquerda rastejante, as mudanças aprovadas no Congresso são "criminosas" e fazem o Brasil "andar para trás 80 anos", demonstrando "uma falsa preocupação com os trabalhadores".

Pelo visto, o iluminado filósofo não tem a menor noção do significado da palavra "crime". A reforma, que Boulos muito provavelmente não leu, está em absoluto acordo com o nosso ordenamento jurídico, inclusive com os deveres trabalhistas previstos na Constituição.

Que crime é esse que dá mais poder de negociação para os trabalhadores e os liberta das correntes do imposto sindical obrigatório? Se as mudanças fossem de fato tão rejeitadas e tão maléficas àqueles que trabalham e produzem, eles teriam protestado. O que vimos foi justamente o contrário: meia dúzia de pelegos sindicalistas protestando para não perder a mamata.

Após a aprovação do fim da obrigatoriedade do imposto sindical, a CUT terá de demitir 60% de seus funcionários. A razão? Os trabalhadores se cansaram de sustentar a moleza de líderes sindicais que nunca trabalharam mas que, graças às maravilhas do dinheiro público, curtem vidas de luxo, com direito a mansões e até lanchas. Se a maioria dos sindicatos realmente representasse os trabalhadores, estes não iriam deixar de contribuir.

O mais irônico é dizer que as mudanças na legislação fazem o país retroceder 80 anos. Realmente, os verdadeiros bastiões do progresso econômico e do avanço social são aqueles que estão defendendo uma lei de quase 80 anos, importada da Itália fascista por Getúlio Vargas e responsável por mais de 13 milhões de desempregados. Piada.

Segundo o nosso querido coxinha vermelho, o sistema que elegeu o atual Congresso está falido porque foi pautado pelo financiamento empresarial. Engraçado, as doações de pessoas jurídicas não eram um problema quando ajudaram a eleger Lula, Dilma e todos os parlamentares que os sustentaram. As doações de pessoas jurídicas também não foram um problema quando Luciana Genro, do Psol -- que, aliás, é o provável futuro partido de Boulos --, recebeu R$ 100.000 da Gerdau, empresa multinacional, sendo que o estatuto do partido proíbe doações de... multinacionais. A socialista, é claro, não foi punida pelo partido. Que mal faz uma ajudinha do capital pela revolução, não é mesmo?

Quando questionado sobre os governos petistas, o miliciano dos Sem Teto ressaltou os "avanços sociais", o aumento no acesso ao consumo para os mais pobres. É claro que ele esqueceu de dizer que Lula surfou na onda do Plano Real, contra o qual lutou veementemente, e no boom das commodities. Ignorou, também, as consequências da gastança de dinheiro público, que sofremos agora. A desigualdade social, a pobreza e a miséria voltaram a aumentar; a educação, então, nem se fala. O desempenho de estudantes do ensino médio, hoje, é menor do que o de 20 anos atrás. Que baitas conquistas sociais, hein, Boulos?

Repetindo, como bom papagaio vermelho, a narrativa do golpe, nosso especialista em queimação de pneus enumerou os principais retrocessos do processo que derrubou uma presidenta-democraticamente-eleita-com-cinquenta-e-quatro-milhões-de-votos.

Um deles foi "a seca nos programas sociais". O governo já anunciou reajuste acima da inflação para o programa Bolsa Família, mas nenhum petista aplaudiu. Só vale quando são eles que fazem, não é mesmo?

Outro foi o "desmonte dos serviços públicos". Depois da aprovação da PEC do teto de gastos, que, segundo Boulos, seria o apocalipse tupiniquim, os investimentos em saúde e educação só aumentaram. Mais uma vez, não houve aplauso por parte das esquerdas, o que só evidencia que o compromisso de gente como Boulos não é com uma ideologia, mas com um projeto de poder.

O mais novo guerreiro do povo brasileiro não passa de mais uma tentativa risível das esquerdas brasileiras -- derrotadas nas ruas e nas urnas -- de voltar ao poder. Não vai colar. A população brasileira já se cansou desse populismo barato. O que resta a aspirantes a Lula, como Boulos, é a lata de lixo da História.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.