OPINIÃO

COP-23: O papel do agronegócio brasileiro para atingirmos uma economia sustentável

Investidores de todo o mundo estão de olhos (e bolsos) abertos em direção ao Brasil, prontos para movimentar o mercado de finanças verdes.

14/11/2017 17:01 -02 | Atualizado 14/11/2017 17:05 -02
luoman via Getty Images
Imagem mostra uma grande área desmatada no coração do Amazonas.

Ao longo dos últimos anos, muito foi feito para nossas cidades se tornarem mais verdes, o transporte menos poluente, a agricultura mais sustentável. Mas ainda há um longo caminho pela frente.

O mercado financeiro já entendeu o risco de se ater aos padrões tradicionais de desenvolvimento econômico e as perdas financeiras a ele associadas. Hoje, empresas, investimentos e projetos de infraestrutura precisam considerar o impacto das mudanças climáticas em seus ativos.

A Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil (NDC) para o Acordo de Paris visa a reduzir as emissões de GEE em 43% até 2030 (em relação aos níveis de 2005). Esse compromisso exige investimentos da ordem de 950 bilhões de dólares entre 2016 e 2030 (de acordo com o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Por outro lado, as metas também oferecem oportunidades únicas de crescimento durante a transição para a economia de baixo carbono.

Na última década, o uso de títulos verdes emergiu como uma ferramenta para financiar NDCs e essa transição econômica. A prática tem crescido exponencialmente em todo o mundo, com 221 bilhões de dólares em títulos verdes rotulados emitidos globalmente desde 2005, segundo dados da Climate Bonds Initiative.

O Brasil tem potencial para ser um dos líderes da economia verde no planeta, e uma combinação de investimentos públicos e privados será necessária para alcançar os objetivos traçados em Paris.

O mercado brasileiro de títulos verdes já ultrapassou R$ 11 bilhões desde junho de 2015. A maior parte dos emissores é feita por empresas, desde o primeiro green bond emitido pela companhia alimentícia BRF.

Em maio deste ano, o BNDES seguiu a iniciativa de outros bancos de desenvolvimento e emitiu um título verde de um bilhão de dólares para financiar geração de energia eólica e solar. O banco também lançou o Fundo de Energia Sustentável para fomentar o mercado local de finanças verdes, atraindo investidores internacionais.

Agronegócio

Os principais setores que estão liderando a emissão de títulos verdes são energia renovável e agricultura. O agronegócio, hoje responsável por 22% do PIB nacional e por 33% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa, é um setor vital. Não apenas para a manutenção da segurança alimentar global, mas também como uma enorme oportunidade para adoção de práticas de baixo carbono.

Por depender diretamente da previsibilidade de temperatura e precipitação, o setor agrícola também se torna um dos setores mais suscetíveis às alterações climáticas, podendo sofrer grandes perdas financeiras.

O agronegócio brasileiro possui diversos exemplos de produção em escala com uso de tecnologias avançadas para limitar o seu impacto ambiental. Os títulos verdes apresentam uma alternativa de financiamento para esta produção, que possui um impacto internacional.

Além das conhecidas e bem-sucedidas pesquisas lideradas pela Embrapa, que há muito tempo trabalha para desenvolver tecnologias voltadas para uma agricultura de baixo carbono, outro protagonista dessa nova agricultura são as agritechs, startups do setor que hoje já somam mais de 200 em todo o País.

Outras iniciativas que merecem destaque incluem a linha de crédito rural desenvolvida para financiar as tecnologias de baixa emissão de GEE, conhecida como Programa ABC. Além projetos como o Rural Sustentável, financiado pelo governo britânico. Essa verdadeira força-tarefa em prol de uma agricultura de menor impacto e mais resiliente às mudanças climáticas dá uma boa perspectiva do potencial sustentável do agronegócio brasileiro.

Desenvolvimento sustentável

Durante a COP-23, realizada este ano na Alemanha, o Brasil deve reafirmar seus compromissos do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. É chegada a hora de criar condições que acelerem o fluxo de investimento verde, garantindo aos investidores um retorno de longo prazo estável.

Investidores de todo o mundo estão de olhos (e bolsos) abertos em direção ao Brasil, prontos para movimentar o mercado de finanças verdes. Este setor, de acordo com a Climate Bonds Initiative, valerá um trilhão de dólares em apenas três anos.

Os países, organizações e empresas que se moverem mais rápido em direção a um modelo de negócios sustentável conseguirão não apenas atrair investimentos, mas também assegurá-los por um longo tempo. E nesse quesito, o futuro para o Brasil é promissor.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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