OPINIÃO

A solidariedade e protagonismo na prática

Ela estava tão nervosa que nem conseguia falar direito e depois de alguns segundos, disse que o carro deu uma pane.

03/02/2017 11:27 -02 | Atualizado 07/02/2017 17:11 -02
SvetaZi via Getty Images
Two hands (helping hand to a friend)

Hoje saí pra correr na Sumaré com meu irmão e de repente, tinha um carro parado na lateral da pista, colado na ciclovia, causando um caos no trânsito. Várias pessoas buzinando e dentro do carro, uma moça chorando.

Sem pensar, meu irmão foi lá e perguntou o que tinha acontecido. Ela estava tão nervosa que nem conseguia falar direito e depois de alguns segundos, disse que o carro deu uma pane.

Meu irmão, com cuidado para não assustá-la, pediu permissão para pegar o triângulo e já posicionou na rua garantindo uma distância segura para evitar acidentes. Nesse meio tempo, me aproximei com calma e ela nem conseguia achar o cartão do seguro que estava na frente dela. Perguntei se ela estava bem, se precisava que ligasse para alguém e tentei acalmá-la: vai ficar tudo bem, vamos ajudar a resolver.

Quando olhei, meu irmão foi parando o trânsito e saiu correndo para o outro lado da rua. No início não entendi e pensei: onde ele vai?

De repente ele entrou numa academia de Cross Fit e segundos depois saiu de lá com 5 homens grandes com roupa de ginástica. Dentro de mim comecei a rir muito: se eles empurram pneus porque não empurrar um carro?

Rapidamente eu entrei na frente dos carros e pedi pra todos pararem. Eu pensava dentro de mim: meu Deus, e se essa galera avançar em mim? Tudo bem, é ousado fazer isso mas vai liberar o trânsito pra todo mundo.

Eu olhava pra trás e eles se uniram. Aqueles segundos demoraram uma eternidade e a moça não conseguia desengatar o carro. Com muita calma meu irmão pediu para tomar o lugar dela ao volante e junto com os rapazes, tiraram o carro do meio da rua colocando seguramente numa ruazinha lateral. Eu estava lá, olhando firme para todos os carros na minha frente, na posição de guarda de trânsito.

Quando saímos da Sumaré, a moça foi se acalmando, parou de chorar, ligou pro noivo, pro seguro e já emitia um sorriso tímido, agradecida pela ajuda.

Seguimos nosso caminho com uma sensação de paz no coração e eu, chorando, agradeci meu irmão, no dia do aniversário dele, pelo presente que tinha acabado de me dar.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representam as ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte dos blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com