OPINIÃO

Protesto contra fechamento de escolas em SP tem prisões arbitrárias e violência policial

09/10/2015 18:03 -03 | Atualizado 29/01/2017 13:28 -02
Divulgação/Amanda Gomes Lemos

"Vai tirar uma foto, gostosinha?", me perguntou um policial da Tropa de Choque, depois de pegar seu spray de pimenta e agitá-lo.

O alvo era um garoto algemado, estudante de Ensino Médio, que participava da manifestação realizada nesta sexta-feira (9) pela manhã, na Avenida Paulista.

Foi o segundo ato organizado por estudantes da rede estadual de ensino, depois que o governador Geraldo Alckmin anunciou, em 23 de setembro, o fechamento de escolas públicas.

Sou estudante de jornalismo e desde 2014 faço cobertura de manifestações de forma independente. A de hoje foi uma das mais tensas que já registrei.

Cheguei ao vão do Masp às 8h30. O ato estava visivelmente dividido entre muitos policiais militares, estudantes de movimentos diversos e um carro de som.

Uma das peculiaridades é que praticamente não havia imprensa. Até 10h vi poucos fotógrafos; apenas quando prisões aconteceram, começaram a chegar mais jornalistas.

Em menos de 15 minutos do início do ato, policiais começaram a correr no meio da multidão.

Eram aproximadamente mil manifestantes, e os PMs distribuíram socos e cassetetes gratuitamente. Não poupei cliques e registrei algumas agressões.

Protesto em SP termina com prisões arbitrária


Em certo momento, resolveram atacar um garoto em específico. Resolvi perguntar aos policiais o motivo da agressão e a resposta foi: "ele está cobrindo o rosto com uma bandana".

Eu, que também estava de bandana vermelha para evitar efeitos de possíveis bombas de gás lacrimogênio, respondi: "Por quê? Eu também estou do mesmo jeito e vocês não estão me agredindo".

O policial, sorrindo, explicitou: "porque ele é negro".

Foi aí que chegou a Tropa de Choque e, em frente à drogaria Onofre, na esquina com a rua Pamplona, formaram o cerco que descrevi no início. Os policiais continuaram a agressão e depois levaram o garoto e outra manifestante para a viatura.

Todos os poucos fotógrafos correram para registrar o momento e então o capitão Santos, claramente exaltado, ordenou que todos saíssem, enquanto distribuía socos e chutes gratuitamente.

Capitão Santos era o responsável por essa operação policial na Paulista.

Um cassetete passou de raspão em meu braço, mas consegui registrar a fúria dos PMs. O garoto, cujo nome não consegui saber, foi detido.

Pouco tempo depois, me defrontei com outra prisão, sem nenhuma justificativa: a do jornalista Caio Castor.

Os policiais negavam falar o motivo.

Ao insistir na pergunta, um PM me deu uma cotovelada no estômago e mandou parar de fotografar.

Os estudantes gritavam, aterrorizados.

Para muitos, aquela devia ser a primeira manifestação de que participavam. E, mesmo nessa situação, continuaram andando pela Paulista.

Chegaram mais viaturas, mais policiais militares e mais Tropa de Choque. Os estudantes mudaram seu percurso e seguiram pela 9 de Julho.

O Capitão Santos se negou a me dar um depoimento.

* Por Amanda Gomes Lemos, estudante da Faculdade Cásper Líbero

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: