OPINIÃO

A igualdade almejada

O papel do pai na família não é o de ajudante da mãe ou de coadjuvante.

13/08/2017 09:55 -03 | Atualizado 13/08/2017 09:55 -03
Getty Images/iStockphoto
Pai separado avalia a guarda compartilhada no Brasil.

Uma das coisas que aprendi depois dos trinta foi que, na separação, o pai vira um mero visitante na vida dos filhos. Pelo menos no Brasil, até o início dos anos 60, antes da promulgação do estatuto da mulher casada, a guarda dos filhos sempre ficava com o pai... Uma injustiça!

Naquela época, os pais não se importavam com os filhos de outros relacionamentos após formarem uma nova família, ou tinham que trabalhar mais para proverem duas casas. Graças ao machismo, a lei, que não era igualitária, mudou de lado. E entendeu-se que a exclusividade do cuidar seria da mãe.

Foi justamente quando iniciou-se a quebra do paradigma dos pais provedores e das mães cuidadoras, com a chamada libertação feminina. As mulheres ganharam espaço no mercado de trabalho e precisaram conciliar as tarefas domésticas com trabalho e estudos, fazendo dupla ou mesmo triplas jornadas.

A legislação mudou e não veio a almejada igualdade da guarda compartilhada, sobrecarregando as mães no cuidados dos filhos, nas tarefas do lar e no trabalho.

Com isso, se atrasa em mais de meio século o equilíbrio necessário à criação de filhos de casais divorciados. Uma mudança significativa só viria com a Lei 13058, sancionada em 2014. Por essa lei, a guarda dos filhos deveria ser dividida entre pais e mães.

Vinte e cinco anos depois da lei da guarda compartilhada compulsória começar a vigorar nos países escandinavos, como Dinamarca e Finlândia, o que era motivo de dúvidas e temor na época hoje é motivo de orgulho. Segundo pesquisas, as crianças escandinavas são as mais felizes do mundo. Entre os motivos, está o compartilhamento da guarda.

No Brasil, pelo menos por enquanto, sentimentos vingativos e mesquinhos de ex-casais e a falta de empatia e comprometimento do Judiciário estão privando as crianças da convivência equilibrada e igualitária com seus pais, algo justo e natural.

Lugar de criança não é exclusivamente a casa da mãe ou a do pai, mas de ambos.

Por isso eu pergunto: neste Dia dos Pais, há o que se comemorar?

O papel do pai na família não é o de ajudante da mãe ou de coadjuvante. Ele tem sua função específica, como a mãe tem a sua, e ambos se complementam. Um não ofusca o outro e não há substitutos. Não existe meio pai ou pai quebra-galho.

O papel paterno é tão importante na formação do caráter e intelecto dos filhos que, se todos os homens tivessem noção, não se esquivariam de exercê-lo. E se toda mãe imaginasse a falta que faz, não se oporia a ele. Se tivesse o poder de prever o futuro, não afastaria os filhos de seu pai.

Ver seu filho chegar à idade adulta, tentar lembrar do passado, se perguntar "quem foi meu pai" e simplesmente não ter respostas é uma imagem triste sobre alguém com quem não conviveu.

Cada amor tem seu valor e sua característica. Nada substitui o amor de pai.

Nós, adultos, muitas vezes embebidos por vaidades ou mágoas, privamos nossos filhos de uma convivência natural e fundamental.

Pai tem que viver intensamente na vida dos filhos e se perpetuar na memória como referencial, o herói, o companheiro, o conselheiro, o palhaço que te fez sorrir em momentos que a vida não dava motivos.

Que todos os dias sejam dias do pai e da mãe, que ambos vivam em harmonia pelo bem de seus filhos.

Que se tenham motivos para comemorar, que se apague, perdoe ou passe por cima de mágoas, brigas e todos os sentimentos que só dizem respeito ao mundo dos adultos.

Que se criem lembranças sólidas, memórias que remetam a um passado que dê saudades, para que nossos filhos construam um mundo mais terno e fraterno para nossos netos.

Que o que passou provoque aquele saudosismo e vontade de lembrar e repeti-lo para nunca esquecer quem foi meu pai aquele homem que vive em meu coração e me acompanha em toda a caminhada da vida.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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