OPINIÃO

Por que todo mundo deveria jogar videogame ao menos uma vez

24/02/2014 10:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Grande parte da minha infância foi fortemente marcada por jogos eletrônicos. Desde pequeno, viver estas histórias foi mais do que um hobby para mim. Assim como a leitura, filmes e histórias em geral, os jogos me encantam de diversas formas. Grandes produções com enredos cativantes, criadas por roteiristas e escritores de talento hoje não são nenhuma novidade nesta indústria. Entretanto, parte das pessoas ainda insiste em tratar a prática de jogar como uma atividade infantil e pouco produtiva. Por quê?

Uma das minhas primeiras grandes experiências com jogos foi com a série Final Fantasy, aclamada como uma das grandes obras do gênero RPG, que costuma focar na estratégia, histórias bem-trabalhadas e a relação entre os personagens. Meu jogo favorito, Persona 4 é do gênero, e tem o enfoque um estudante e o fortalecimento de seus laços com os demais personagens. Os diálogos da obra japonesa e sua trilha sonora são verdadeiras joias, e com certeza emocionaram muitos que a jogaram até o fim.

A questão é como estas vivências e histórias, mesmo que fictícias, sempre deixam algo de valioso e positivo durante a jornada. Os jogos levam a experiências que nós muitas vezes sonhamos ter algum dia. Mundos e aventuras épicas se aliam a lições que nos fortalecem verdadeiramente como pessoas.

Constantemente é levantada a questão de séries famosas como Grand Theft Auto incitarem a violência, o que acaba, injustamente, gerando comentários negativos em certos momentos. Devemos lembrar, principalmente aos pais, que jogos como estes possuem uma classificação indicativa que deve ser respeitada, assim como certos filmes e até mesmo músicas. Além disso, sejamos honestos: quantas pessoas se tornam violentas após assistirem a um filme de guerra?

Desde pequeno meus pais me ensinaram grandes e simples valores. Praticar o bem, não o mal, e ajudar sempre o próximo. Acredito que, no fundo, todos nós sabemos discernir o bom do ruim, e quais lições deve-se carregar consigo para o resto da vida. Com os jogos eletrônicos não é nada diferente. Ser jogador de gêneros mais violentos não te fará um agressor se você souber disso. Para os céticos, uma pequena pesquisa na internet mostrará estudos comprovados de que jogos violentos não tornam as pessoas agressivas, nem mesmo as crianças.

Segundo um amigo meu, que já passou pelo curso de Design de Jogos, desde a história até a mecânica, os videogames são uma experiência valiosa. "Para mim, os jogos ainda se mantém acima de livros e filmes por conta da interação. Isso permite uma imersão e suspensão de descrença muito maior. É um meio de nos desenvolvermos ainda mais como pessoas, além do que só o real pode trazer." Para aqueles que ainda desacreditam neste potencial cultural, peço ainda que procurem ler obras como a série de livros World of Warcraft, da escritora Christie Golden, série baseada no homônimo que é um dos maiores jogos de computadores de todo o mundo.

A tensão de encontrar um perigo a qualquer momento, ou a beleza imensurável de paisagens e narrativas que sequer precisam de diálogos para encantar e emocionar. Para quem ainda tem dúvidas sobre a importância e beleza dos jogos eletrônicos, peço que procure saber mais sobre. E jogar. Vale a pena.