OPINIÃO

Insights e decepções de marketing sobre as eleições

07/10/2014 11:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
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Aquesta és part de la propaganda amb que els partits polítics van tudar paper al meu municipi les passades eleccions... El dit, una tudadissa de paper.

Oi pessoal!

Estou devidamente atrasado. Mas foram dias corridos por aqui. Não fiz passeata, carreara, mas foram muitos debates com meus correligionários: meus clientes! Em breve volto à programação normal, mas pelo pedido do Brasil Post e uma cobrança pessoal seguem algumas linhas sobre as eleições.

Aproveitei o fim do último debate, que acabou de acontecer na TV Globo - e que determina o fim da propaganda eleitoral do primeiro turno, para trazer algumas coisa que vi por aí:

É preciso entender a migração de votos entre os turnos:

- Boa parte do contingente votante no PSDB é historicamente refratário ao PT, portanto votaria em qualquer pessoa que fosse enfrentar a Dilma (salvo um caso extremo de ir, sei lá, Luciana Genro).

- Porém nem todo votante na Rede/PSB (leia-se Marina) votaria no PSDB, pelo apelo do partido orientado ao empresariado, deixando de lado a população.

Estou falando de uma migração que, com Marina no segundo turno receberia mais de 80% dos votos do PSDB versus metade ou pouco acima disso na situação reversa.

- Marina Silva é a grande história desta eleição. Mesmo sem ter ido ao segundo turno, teve uma trajetória fulminante, trágica e crítica em pouco mais de 45 dias. Pena que perdeu fôlego, pois sua equipe e ela não souberam suportar a agenda de medo imposta por PSDB e PT.

- E aqui entra minha primeira decepção com todos os candidatos: perdemos mais de 60 dias com uma agenda do medo. O medo de manter o PT no poder, do Aécio governar para os bancos, para a Marina e seu alinhamento com Malafaia, do aumento do público GLS (e pensar que Levy é meu vizinho, que ridículo)... Propostas mesmo, quase nada veio à tona.

Que o medo vende, sempre soube - qualquer publicitário ou profissional de marketing ou vendas usa esta ferramenta. Ainda hoje me tentaram vender Seguro de Vida porque posso morrer ou ficar aleijado ao sair de casa, no próximo voo, ao brincar com minha cachorra. O medo é talvez a mais poderosa ferramenta de persuasão. Pena que ela usada como nossos candidatos ofusca o que realmente deveria contar: as propostas e soluções para um Brasil que ainda tem muito conserto a realizar.

- A minha segunda decepção de marketing vem do staff dos candidatos: achei pessoalmente fraco a campanha deles. De todos. Desde a Dilma orientada a dar declarações distorcidas sobre os seus (não) feitos e uma notória campanha de ameaças ao futuro do país com seus concorrentes, a falta de defesa da Marina aos ataques dos concorrentes (e solidez de suas propostas) bem como uma forte inércia de Aécio - cuja derrota domingo pode significar uma redução histórica da relevância do PSDB.

- Minha impressão sobre a estrutura de marca dos candidatos ficou em:

Dilma: escorando-se onde pode para se manter no poder, nem que isso signifique largo uso do Lula, ameaças e uso distorcido de informações para seu benefício. Afinal, aonde que a inflação está controlada? E por onde que a indústria e o empresariado nacional vai bem?

Marina: Lindo ideal de ser a terceira via, de não desistir do Brasil como Eduardo Campos queria. Mas uma boa marca não se segura no propósito, mas em ações e fundamentos, e faltou isso no fim da corrida. Faltou também ser menos puritana no debate com concorrentes.

Aécio: A marca PSDB está envelhecida, e poderia somar a experiência com o sentimento de mudança. Mas de longe foi a estrutura mais fraca dos principais, só valendo-se de alguma coisa na hora de atacar a Marina e se mostrar com alguma solidez como concorrente ao governo.

- Sobre os nanicos: Fizeram mais espuma que algo prático - ainda que veja consistência nas propostas históricas dos partidos de extrema esquerda: PSOL, PC do B, e afins. Atenção (e menção) especial a declaração absurda do Levy Fidelix contra a homossexualidade e o aparelho reprodutor que não gera filho; acreditem que ele ganhou votos com tal declaração. Ele achou um nicho para si e mostrou a cara para um eleitorado que se identifica com a visão dele, da mesma forma que Maluf tem 1 milhão de votos com o "rouba mas faz" e Bossonaro 600 mil e sua "cura gay".

- Por último, e como alguém que palestra e defende o empreendedorismo, inovação, apoio à indústria, comunicação e afins, senti uma ausência completa de diálogo sobre estes temas. Mal se falou de educação durante os debates e programas de tevê. O que reforça que ainda estamos longe de ser uma democracia madura. Ainda somos um país que vota em personagens, não em gestores. E enquanto votarmos assim vai ser complicado crescer como país. Não somente nos negócios mas no social e humano.

Nossas eleições mais parecem um pugilato onde todos querem ser Rocky Balboa. Talvez Stallone teria chances contra Apolo "Dilma" Doutrinadora ;-)

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