OPINIÃO

Por que relaxar?

09/07/2015 09:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

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Palmeiras e São Paulo, ontem, somados, estufaram sete vezes as redes de Avaí e Vasco respectivamente. Sete, olha que coisa. Dois placares totalmente enganosos.

Para os alviverdes, fora os minutos finais de êxtase após o terceiro gol, não é insanidade dizer que o arqueiro catarinense estava, sobretudo, à paisana no jogo. Já a trupe de Osorio, começou bem, e beneficiou-se de erros crassos da defesa vascaína para colocar dois gols de frente, depois um terceiro e resolveu brincar com a sorte.

Antes de qualquer coisa, que fique bem claro: não estou dizendo que as vitórias de ambos não foram merecidas ou justas. Foram. Mas com algumas ressalvas.

Primeiro, o malefício de abrir o marcador cedo. Rafael Marques, aos 7', e Pato, aos 12'. Com o agravante de Michel Bastos, aos 17', entusiasmar os são-paulinos com uma possível goleada. Alguns minutos depois, note uma curiosidade:

"Com o placar em vantagem, é normal relaxar", disseram Wagner Vilaron e Caio Ribeiro, os comentaristas das partidas na televisão. Coincidência? Nada disso. O discurso ensaiado e sincronizado é expressão decorrente para os especialistas. Normal, claramente é. Aceitável, não.

Por que o Palmeiras, na frente de mais de 37 mil torcedores, diminui o ritmo antes dos 20 minutos iniciais? Por que o São Paulo abre dois a zero e entrega a bola para o Vasco jogar? Uns, dirão: para jogar no contra-ataque, atrair o adversário e dar o bote. Pra quê? Se estão no primeiro tempo, ganhando, e são superiores tecnicamente?

Para esclarecer: tanto palestrinos quanto tricolores colocaram uma vitória certa em risco. Risco totalmente desnecessário. Avaí chegou a colocar bola no travessão, além de deixar Prass com calafrios (nos dois tempos de jogo). Vasco aproveitou-se da bobeira são-paulina nas saídas de bola, adiantou a marcação e conseguiu achar várias brechas no ataque. Quase todas dentro da área, mas parou na incompetência de seus atacantes.

O relaxamento pode ser natural, claro, mas só quando o jogo estiver efetivamente ganho. Não há porquês dessa falta de ambição em se acomodar numa vitória simples com a chance de construir goleadas, goleadas dignas quero dizer.

Afinal, no final, todos saíram felizes e satisfeitos com os placares elásticos. Talvez chova críticas para este texto, ou talvez ninguém dê a menor importância. Como aconteceu, disseram, há 366 dias, uma seleção não teve dó em plena semifinal de Copa do Mundo e fez sete na seleção da casa, e só pararam para não ficar pior. Pior para os outros que não tem esse apetite.