OPINIÃO

Realidade virtual: logo seremos todos viajantes no tempo

09/03/2016 17:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

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Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, compartilhou em seu perfil oficial na rede social uma foto onde ele andava no meio da plateia de um grande lançamento de smartphone.

À exceção dele, todos usavam óculos de realidade virtual (Gear VR) e nem notaram a sua entrada.

Um dos comentários no post dizia:

'Mark, não é estranho ser o único com olhos reais, enquanto todos os outros são zumbis nessa Matrix?'

Já faz tempo que não vivemos a realidade, bem, a olho nu.

Nos últimos anos, os smartphones se tornaram o principal meio não só de produção e consumo de conteúdo como também de experiência.

E tecnologias cada vez mais imersivas, como câmeras que filmam em 360 graus e óculos VR, mudam totalmente como nos relacionamos com o mundo.

Hoje coexistimos com as nossas memórias, mas ainda de forma superficial.

Quando a minha vó me conta sobre o dia a dia com meu avô na São Paulo dos anos 50, em poucos minutos consigo verificar a rua em que morava no Google Maps, ou se o seu restaurante preferido ainda existe.

Se quero voltar a um tempo mais recente, e relembrar determinado momento de uma viagem de alguns anos atrás, recorro ao Facebook, Instagram ou DropBox.

Logo poderemos fazer muito mais do que isso.

Pois à medida que a tecnologia avança, surgem também novos comportamentos. No último ano, o Snapchat viu seu número de usuários ultrapassar 200 milhões no mundo, 60% deles entre 13 e 24 anos. De repente, tinha virado cool compartilhar o banal. Quando Zuckerberg diz que a realidade virtual é a plataforma mais social, tem isso em mente: com o streaming de vídeo, podemos dividir momentos sem filtro. Mais reais.

E com o armazenamento em nuvem cada vez mais barato, podemos também guardá-los, continuamente, criando o futuro a partir do presente, em um processo contínuo que não pára nunca.

Essa nova forma de construir a história muda para sempre como lidamos com ela.

Em vez de me perguntar sobre a vida em 2016, a minha neta poderá colocar um par de óculos e viver a minha experiência a partir do meu ponto de vista.

Ou de qualquer outro. Expandimos de forma irreversível a nossa percepção da realidade.

No início do mês, as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há 100 anos foram detectadas pela primeira vez.

A teoria de um universo onde passado, presente e futuro coexistem ficou ainda mais forte, e a viagem no tempo voltou à pauta.

Ainda prefiro a visão de outros cientistas, que defendem uma relação entre o universo visível e a quantidade de informação acumulada até hoje.

Do instante zero até o momento atual, está tudo iluminado.

Daqui para o minuto seguinte, é tudo mistério.

Mas agora, como viajantes no tempo, poderemos abrir uma brecha no tecido do nosso universo e investigar melhor o mistério.