OPINIÃO

'O Estranho que Nós Amamos', de Sofia Coppola, é destaque em Cannes

Diretora pode ser a segunda mulher prestigiada com uma Palma de Ouro.

25/05/2017 18:21 -03 | Atualizado 25/05/2017 18:21 -03
Divulgação/O Estranho que Nós Amamos
Nicole Kidman é a protagonista do filme 'O Estranhoa que Nós Amamos'.

*A escritora está cobrindo o Festival de Cannes para o HuffPost Brasil.

Primeira obra de Sofia Coppola como diretora desde The Bling Ring, 2013, O Estranho que Nós Amamos (ou The Beguiled, no título original) teve pré-estreia nesta quarta-feira (24) no Festival de Cannes, sob aplausos.

Com Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst e Elle Fanning, o filme é uma história elegante sobre um soldado americano levado para uma escola de garotas no meio da Guerra Civil Americana. No centro, o poder dos conflitos entre homens e mulheres.

Kidman e Colin são campeões de premières nesta edição: além de The Killing of a Sacred Deer, em que contracenam juntos, Kidman também faz parte do elenco de How To Talk To Girls At Parties, de John Cameron Mitchell, exibido no último domingo.

O Estranho Que Nós Amamoschega aos cinemas brasileiros no dia 24 de agosto. Após a sessão, elenco, diretora e produtor conversaram com a imprensa.

Divulgação / O Estranho Que Nós Amamos

Perspectiva feminina

O filme é baseado no romance The Beguiled, de Thomas Cullinan, e é remake do título homônimo de 1971, de Don Siegel, com Clint Eastwood no elenco.

A princípio, Coppola não queria fazer um remake, mas filme e livro ficaram em sua mente. "A versão original é contada sob uma perspectiva masculina. Queria contar esta mesma história sob o ponto de vista das personagens mulheres", disse durante a coletiva.

Um homem entre mulheres

"Ele levou na esportiva ser nosso objeto para essa experiência", disse a diretora sobre o único ator masculino no meio das mulheres, Colin Farrell como o soldado John.

"Cresci com três mulheres fortes, brilhantes e gentis: minha mãe e duas irmãs. Foi um privilégio estar ao lado dessas atrizes incrivelmente talentosas, criativas e curiosas", ele contou.

Divulgação / O Estranho Que Nós Amamos

Mulheres em filmes

Sobre as mudanças no cenário do cinema, Kidman disse que a indústria ainda está nas mãos de diretores homens. "Como mulheres, nós devemos apoiar diretoras." Há, ainda, muita oportunidade neste novo momento da indústria. "Fiz 50 anos neste ano e nunca tive tanto trabalho como hoje. Em parte, porque posso trabalhar em TV e em filmes para diferentes tipos de tela. Precisamos de histórias, de filmes, e nos adaptarmos às mudanças", comentou a atriz.

Coppola foi categórica: "espero que as pessoas consigam ver esse filme no cinema. Foi filmado para a telona e não para a tela de um smartphone".

Tanto o mediador do festival como Colin Farrell referiram-se a Sofia como elegante. "Sofia criou um ambiente especial, e foi uma das minhas experiências favoritas em alguns anos. Ela é muito elegante e, ao mesmo tempo, uma fera criativa", Colin disse.

Técnicas de sobrevivência

Uma das hipóteses levantadas por jornalistas foi a de que a dinâmica de um ambiente exclusivamente feminino não seria saudável. Kirsten Dunst referiu-se a técnicas de sobrevivência e disse que em qualquer grupo de pessoas confinadas - homens, mulheres ou misto - pode surgir algo inesperado. Nicole Kidman brincou: "Nós estávamos muito bem, aí ele [Colin] apareceu e estragou tudo".

Sofia Coppola pode ser a segunda mulher prestigiada em Cannes com uma Palma de Ouro (a primeira foi Jane Campion, pela obra O Piano).

Assista ao trailer do filme em inglês:

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