OPINIÃO

Meus 5 livros de 2015

20/01/2016 14:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Adoro listas, e foi graças a elas que fiz minhas melhores descobertas literárias em 2015: o brilhante The Paying Guests, de Sarah Waters, que deve ser publicado no Brasil pela Rocco ainda este ano, ou o exuberante Shyness & Dignity, do norueguês Dag Solstad, que conheci depois de ler um artigo na New Yorker.

E embora seja difícil escolher os melhores, selecionei cinco leituras interessantes: apenas duas delas publicadas antes de 2015 e quatro de autoria feminina: as escritoras de sucesso Sarah Waters e Nina George, e as semi-novatas Paula Hawkins e Emily Bleeker.

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A Garota no Trem

Autora: Paula Hawkins

Publicado em fevereiro do ano passado, o livro já tem edição brasileira e previsão de estreia no cinema para outubro de 2016. Em linhas gerais, o livro é sobre Rachel, uma garota alcoólatra que todos os dias toma o mesmo trem e observa da janela do vagão aquele que considera um casal perfeito. A aproximação é tão intensa que ela logo se vê envolvida em uma investigação de assassinato. Comecei a lê-lo depois que a crítica o comparou a Garota Exemplar e não me decepcionei. Mas são diferentes: a psicose de Rachel, de Garota no Trem, é mais leve, o que facilita a identificação com a protagonista. Embora prefira o estilo de Gillian Flynn, a leitura é bastante rápida e vale a a pena conferir antes da estreia no cinema.

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The Paying Guests

Autora: Sarah Waters

A novela se passa na Londres dos anos 20, após o fim da Grande Guerra. A viúva Sra Wray e a filha, a protagonista Frances Wray, decidem alugar o andar de cima da casa a um jovem casal, para ajudar nas despesas. A autora dividiu a história em duas metades, mas eu diria que temos três momentos distintos: primeiro, ela nos ambienta historicamente - Waters é conhecida pelos detalhes de sua pesquisa - depois nos surpreende com a sensualidade sufocante de uma paixão proibida, e então introduz um crime. A parte final é um thriller tão bom quanto as melhores obras de Wilkie Collins, e melhor do que quase tudo o que li nos últimos anos. Acompanhamos os pensamentos e sentimentos contraditórios de Frances e vemos desenrolar uma história sem furos, construída de forma deslumbrante. O rótulo LGBT pode afastar parte dos leitores, o que é uma pena, pois trata-se de uma peça brilhante de ficção e suspense.

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Wreckage

Autora: Emily Bleeker

Livro de estreia da escritora, Wreckage, que pode ser traduzido por Destroços, se desenrola em dois tempos, passado e presente, e temos duas vozes narrativas: Lilly e Dave. No primeiro capítulo, sabemos que Lilly está mentindo sobre algo que aconteceu no passado para proteger aqueles que ama, e então conhecemos o acidente que derrubou no mar o jato particular que a levaria, junto à sogra e ao representante de Relações Públicas de uma marca de iogurtes, para uma ilha particular. A premissa principal do livro não atendeu às minhas expectativas, mas a convivência dos sobreviventes na ilha deserta fez a leitura valer a pena.

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The Little Paris Bookshop

Autora: Nina George

Confesso que comecei a ler a obra da alemã Nina George com muita expectativa: imagine, um boticário literário tem uma grande livraria em um barquinho no Rio Sena e receita livros como remédios, para curar cada um dos males a afligir a alma. "Há livros escritos para apenas uma pessoa, e isso já é sucesso suficiente se é capaz de salvar a vida desse leitor". O livreiro Monsieur Perdu embarca, ainda, em uma emocionante viagem em busca de seu grande amor, perdido 20 anos antes. A execução fica aquém da promessa, mais isso não deveria dissuadir nenhum leitor potencial. A descrição dos sabores, cheiros e ricas sensações da França é boa demais, e quem gosta de obras livrescas certamente não vai se decepcionar: as referências não acabam nunca, inclusive a livros que não foram escritos (ainda).

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Shyness & Dignity

Autor: Dag Solstad

O livro que mais amei nesses últimos meses é difícil de achar e talvez nunca ganhe uma tradução para o português. Solstad é um dos mais eminentes autores noruegueses da atualidade, e ainda assim apenas três de suas mais de trinta obras foram traduzidas para o inglês. Uma pena. Numa narrativa em terceira pessoa extremamente íntima, Elias, um estudioso de Ibsen, reflete sobre o desinteresse de seus alunos medíocres, a relação com a esposa, e a influência que o amigo, Johan Corneliussen, exerceu sobre a sua vida. Com pouco mais de 100 páginas, Shyness pode ser lido em uma sentada só, mas você dificilmente o fará.

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