OPINIÃO

5 coisas que você não sabia sobre 'A Bela e a Fera'

Filme baseado na animação da Disney estreia nos cinemas.

16/03/2017 20:15 BRT | Atualizado 19/03/2017 02:06 BRT

Fui ver A Bela e a Fera na sessão de estreia para o publico, à meia noite e cinco da madrugada de quarta (15) para quinta (16). Achei que encontraria uma sala lotada de adolescentes. Que nada. A fila da pipoca era todinha de gente que nem eu: trintões que viram o desenho animado no início dos anos 90 em VHS ou na telona mesmo e se encantaram com a história.

O novo filme da Disney é lindo. Tem direção de arte minuciosa, elenco estelar - de Emma Watson e Dave Stevens nos papéis principais aos sempre brilhantes Ewan McGregor e Ian McKellen - e música muito boa. Não ouvi uma conversa paralela durante toda a projeção e, ao final, quase todo mundo bateu palma.

A história é famosa e já inspirou contos de fada mais modernos, como Shrek. Mas pouca gente conhece os detalhes da sua origem.

1. Pra começar, o texto mais antigo é da francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve

O conto que você conhece é uma mistura entre a versão de 1956, de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, e algumas ideias do filme de 1944 do cineasta Jean Cocteau.

Na verdade, Jeanne-Marie fez uma espécie de A Bela e a Fera para "dummies" do original de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve,publicado em 1740.

Este último tem pouco menos de 200 páginas, é dividido em três sub-enredos e traz alguns dos principais padrões dos contos desse tipo: dualidade beleza X feiúra, virtude e vício, bondade e maldade, estupidez e inteligência e o rito de passagem para a idade adulta (que inspirou aquela frase famosa de Neil Gaiman: "Os contos de fada são verdadeiros não porque dizem que dragões existem, mas porque mostram que podem ser derrotados").

A Bela vai até o castelo da Fera se oferecer no lugar do pai - e tudo acaba bem.

2. ... mas a inspiração é do séc. II

O Asno de Ouro de Apuleius (ou Lúcio Apuleio, como traduzem seu nome às vezes) é possivelmente um dos livros mais deliciosos da História. Um de seus contos mais conhecidos, Cupido e Psiquê, serviu de inspiração para Gabrielle.

Não vou dizer mais nada, pois é o tipo de coisa que vale a pena ler várias vezes na vida.

3. A Fera volta a ser príncipe quando se deita com a Bela (e não quando jura amor verdadeiro)

Contos de fada são quase sempre eróticos (e nós, além de intelectuais e morais, somos carnais).

Toda noite, a Fera encontra Bela às nove da noite no salão de jantar e antes de dizer "Boa noite, Bela", pergunta: "Bela, você gostaria de dormir comigo?"(em francês, o termo usado é coucher, o que não deixa dúvida alguma quanto à intenção).

Ou seja, somente quando a Bela cede à vontade carnal da Fera e passa uma noite inteira em sua cama (sem consumar o fato), o feitiço é desfeito.

4. Não existe Gaston (e a Fera não é lá muito inteligente)

Uma Fera culta é muito mais sedutora do que uma Fera estúpida.

No livro original, seu vocabulário é restrito a uma dúzia de palavras e quase não há diálogo (falar sobre Shakespeare então, nem pensar). É verdade que a Bela tem muitos pretendentes, mas nenhum deles tão marcante quanto Gaston. Aliás, quem faz a antítese da Fera é ela mesma: toda noite, a Bela é visitada pela versão príncipe da Fera e se apaixona perdidamente por sua beleza, cultura, inteligência. Mas sabe que aquilo é ilusão - como os espetáculos que conseguem ver a partir de um dos grandes salões do castelo. A escolha pela Fera é uma vitória da realidade sobre a fantasia.

5. A Bela é na verdade uma princesa.

A única coisa que não gostei do livro original: em vez de uma camponesa de uma cidadezinha qualquer francesa, a Bela é na verdade sobrinha da sogra e filha do futuro rei, que deve dar a benção para a união dos dois.

Descubra em quais cinemas da sua cidade está em cartaz A Bela e A Fera, que estreia hoje.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

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