OPINIÃO

A novas bonecas Barbie são uma homenagem às meninas do futuro

01/02/2016 11:22 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Como quase todas as meninas da minha geração, cresci brincando com Barbies e seu universo de carros conversíveis, casas luxuosas e armários transbordando de roupas. Já não lembro mais quando ganhei a primeira, mas depois que a minha sobrinha fez dois anos, fiz questão de comprar para ela uma da coleção sereia, cujo cabelo mudava de cor na água. Queria ser a primeira. E escolhi uma que fosse igualzinha a ela, mas aí não foi difícil: ela é loira de olhos azuis.

Quando vi a nova edição da TIME, com a frase "agora podemos parar de falar sobre o meu corpo?", na capa, fiquei emocionada.

Não porque a respeitada publicação americana tinha decidido estampar em sua capa uma das personagens mais amadas de de todos os tempos, mas porque, ao fazê-lo, havia prestado uma grande homenagem às meninas do futuro e dito em alto e bom som: vocês podem ser o que quiserem.

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Hoje é fácil criticar o corpo de manequim e os cabelos loiros, longos e lisos da antiga Barbie, ou como e quanto custou à Mattel se atualizar aos novos tempos, mas nos anos 90 a boneca foi para mim uma ferramenta de empoderamento. Isso tudo numa época em que o outro brinquedo incrivelmente querido, o Lego, sequer refletia o universo feminino.

É verdade que as Barbies tinham o corpo igual, era difícil encontrar bonecas morenas - sendo loira, tinha uma predileção pelas morenas - e havia uma predominância de rosa nas roupas e acessórios. Mas ainda assim ela era o nosso primeiro vislumbre do universo da mulher, e podíamos ser ciclistas (ou esportistas de milhares de outras modalidades), hippies ou sexy ou clássicas, morar num trailer ou numa casa de três andares, se maquiar para festas ou passar o dia no supermercado ou passeando com animais de estimação.

Adolescentes, como a Skipper, ou grávidas, como a Midge (lembro de estar reunida com as amigas em torno dela em admiracão). Ou continuar crianças por mais um tempinho.

Quando a Mattel lançou nos Estados Unidos a Barbie com a filhinha pequena, sempre pedia aos meus pais que trouxessem uma de viagem. Assim, colocava todas as bonecas adultas para dormir e com a minha doppelganger de plástico explorava o mundo como todas as crianças deveriam poder fazê-lo.

A Mattel anunciou as novas versões da coleção Fashionista: alta, petite e com curvas, em sete tons de pele, 22 cores de olhos e 24 estilos de cabelo. Para pais, educadores e mulheres do mundo todo, uma vitória, com certeza. Para a Mattel, a oportunidade de cuidar das mulheres do futuro exatamente como cuidou de mim. É claro que a mudança levou tempo. Organizações - ou instituições consolidadas - produzem as transformações mais lentas, mas muitas vezes essas são também as mais cuidadosas.

Ainda não se sabe se a linha incrementada refletirá num maior volume de vendas, mas arrisco dizer que sua grande chance de sucesso é insuspeita, embora se baseie no princípio fundamental do universo do qual faz parte: as meninas ganharam ainda mais possibilidades de brincadeira. Cada vez que abrirem aquela caixa de plástico, poderão se tornar o que quiserem: loiras, morenas, negras, com curvas, magras, baixinhas, altas.

E sereias.

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