OPINIÃO

A dor e a delícia de ser Millennial

12/04/2016 12:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Nesses últimos tempos, a Geração Y ou os Millennials, como são chamados esses jovens entre 18 e 34 anos (categoria à qual pertenço, em tese), parecem dominar as discussões sobre estratégia de marcas, de bens de consumo a smartphones.

Todo mundo quer saber como conquistar esse público exigente sobre o qual sabemos tanto e tão pouco ao mesmo tempo.

Eles são conectados, os primeiros a adotar um novo aplicativo e fazer dele uma tendência (como o Snapchat, que continuo achando um repositório de conteúdo ruim e narcisista), valorizam a experiência acima de tudo, e querem trabalhar em empresas que priorizem gente sobre lucro, invistam no desenvolvimento de comunidades e lhes permitam trabalhar sob a tutela de líderes inspiracionais e estratégicos.

À primeira vista, parecem seres perfeitos que mais do que merecem o poder que lhes conferimos de decidir se uma marca é ou não cool.

Um olhar mais aprofundado revela que, embora provavelmente melhores do que todas as gerações que os antecederam -- como esperamos que as próximas gerações sejam -- eles continuam sendo, bem, jovens.

Os melhores vídeos que vi do início do ano para cá são assinados por Samantha Jayne, atriz e diretora de arte freelancer da agência MullenLowe em Los Angeles.

Aos 26 anos, Samantha, como muitos de seus colegas da geração Y, usou as novas plataformas digitais como outlets para a sua criatividade e visão de mundo. Primeiro criou uma conta no Instagram, depois o livro Quarter Life Poetry: Poems for the Young, Broke and Hangry (lançado no dia 05 de abril), e então a campanha perfeita de divulgação de sua obra: quatro vídeos curtos de mais ou menos um minuto, escritos, dirigidos e estrelados por ela, que deixariam para trás muito conteúdo de diretor renomado (e são melhor produzidos do que alguns filmes que vi no cinema recentemente).

A campanha ganhou reportagem da AdWeek e o meu vídeo preferido é este abaixo, intitulado Mortalidade.

Nele, a personagem (ou a própria Samantha, já que ela afirmou serem autobiográficos), questiona a importância do seu entediante trabalho (e o tédio não é novidade nas pesquisas sobre esses jovens), no contexto macroscópico do nosso universo: o que são planilhas a serem preenchidas quando não fazemos mais do que flutuar no espaço e tempo?

Tudo acaba em pizza, com direito a hashtag no Instagram #adoromeutrabalho, o que mostra que a diretora sabe fazer o que algumas marcas (e Millennials) ainda não aprenderam: rir de si mesma.

O livro, preenchido por rimas que querem ser poemas (como esta abaixo, que em tradução livre seria, 'Minha amiga tem um bebê e uma butique. Eu acabo de comprar um cacto, ele morreu em uma semana'), nem é tão bom.

Mas ela é sem dúvida uma voz original em meio ao ruído.

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