OPINIÃO

7 curiosidades para entender o Festival de Cannes

Reunimos dados históricos, bastidores e dicas do evento.

29/05/2017 15:41 -03 | Atualizado 29/05/2017 16:30 -03

Festival de Cannes / Divulgação 2017

O lendário Festival de Cannes encerrou neste domingo (28) sua 70ª edição com novos ares: incluiu dois filmes da Netflix na competição, lançou a terceira temporada da famoso Twin Peaks, de David Lynch, e exibiu Carne y Arena, instalação de realidade virtual de Alejandro Iñarritu.

Nos próximos anos, provavelmente continuará a fazer o que sempre fez: construir e transformar a indústria. Neste texto, explicamos algumas curiosidades sobre o Festival.

Como tudo começou...

O primeiro Festival de Cannes aconteceu em 1946, com Louis Lumière como presidente do júri. A ideia era fazer um contraponto ao Festival de Veneza, que vinha negligenciando filmes de países democráticos durante a Guerra Fria. Mas demorou para engrenar: em 1948 e 1950, não houve festa, por isso que só agora chegou à sua 70ª edição.

Ao longo de sua história, Cannes revelou para o mundo filmes como A Bela e a Fera, de Cocteau; A Doce Vida, de Fellini; O Leopardo, de Visconti; Farrapo Humano, de Billy Wilder; e O Piano, de Jane Campion. O brasileiro O Pagador de Promessas foi o único filme nacional agraciado com uma Palma de Ouro, em 1962.

Jornalistas têm prestígio, mas dormir é superestimado!

Para celebrar o aniversário, o Festival convidou 70 jornalistas do mundo todo - bom, principalmente da Europa - para escrever, cada um, uma crônica sobre um ano (você pode comprar o livro aqui). A imprensa - velha, nova, grande e experimental - tem prestígio no Festival.

Tem um blog ou começou a escrever sobre cinema recentemente? Pode se inscrever - o credenciamento começa em meados de janeiro no site oficial e vai até fim de março - mas fique atento: são muitos os tipos de crachá. Em 2017, foram seis. Em ordem decrescente de importância: o branco (dos habitués da festa, que não precisam pegar fila para nada), rosa com bola amarela, rosa sem bola amarela, verde e azul.

Tive a sorte de conseguir uma credencial rosa (sem a bola amarela), e os lugares são mesmo os melhores da casa. Ainda assim, é importante acordar cedo (e chegar cedo, sempre!): um jornalista me contou que chegou uma hora antes da sessão de Wonderstruck das 8:30 (para jornalistas e alguns convidados) e só conseguiu entrar minutos antes. As coletivas de imprensa são bem concorridas, e muita gente de crachá fica de fora.

O Grand Théâtre Lumière é a melhor sala de cinema do mundo

Minha primeira experiência no Grand Théâtre foi num dos piores assentos, lá no fundo. Ainda assim, foi muito melhor do que em qualquer cinema de São Paulo. É verdade que a qualidade de som e imagem são impecáveis, mas não é só isso. Há um ritual. Duas mil pessoas reunidas e o único som que ouvimos é a risada ocasional, o choro e, claro, os aplausos. A poltrona é confortável, mas nem tanto (e, exceto por uma jornalista - que até roncou - não vi ninguém dormir nesta sala). O GTL é uma homenagem ao cinema, seu presente, passado e futuro.

Glamour importa, e muito!

Antes de arrumar a mala, li vários relatos de blogs internacionais sobre o tal do dress code. Roupas formais à tarde e black tie à noite. Mas não há qualquer indicação de quais seriam as duas sessões de gala a cada dia, embora vejamos por todo lado folhetos pedindo que o traje seja observado.

Vi uma mulher de calça numa sessão de meia noite e vestidos curtos na exibição de gala mas, como regra geral, vale se vestir bem: formal durante manhã e tarde, e longo ou black tie a partir da sessão das 19 horas (ou das 16 horas, nos dias em que há sessão neste horário). Você pode ser surpreendido por um convite na fila - como eu fui, logo no primeiro dia.

Não siga a multidão e evite as selfies

A única coisa realmente desagradável da festa é a multidão. Uma hora antes dos filmes no Grand Théâtre Lumière (principal sala do Palais), uma multidão se aglomera nos arredores - sem nunca chegar perto de nenhuma celebridade, diga-se de passagem.

A multidão é também onipresente na entrada dos hotéis que normalmente hospedam as estrelas: Grand Hyatt Cannes Hôtel Martinez, Majestic Barrière e InterContinental Carlton Cannes. Evite-a, sempre que possível.

Quer arriscar uma chance de encontrar seu ator favorito? Seja low profile e vá almoçar um dia em um dos hotéis. Estava no Carlton, quando mãe e filha se sentaram ao meu lado, cochichando sobre Jake Gylenhaal, na mesa logo à frente. Dividiram garrafa d'água e salada e agiram como se fossem clientes habituées: nada de tirar selfie ou incomodar os hóspedes.

Segurança para toda hora

A organização havia anunciado que a segurança seria um dos pontos fortes dessa edição, e realmente foi impecável. Toda a equipe era bem treinada, com rigor mas também bom senso. Num dos dias, passei pelo raio X do Palais com um saco de macarons (verdadeira iguaria francesa, ainda mais gostosos se da Ladurée). Estavam quase confiscando os docinhos, quando o segurança riu e disse que podia passar.

Programe-se!

O Festival divulga a seleção de filmes um mês antes da abertura e a programação, com antecedência de uma semana. Com a empolgação, sempre achamos que vai dar para ver tudo. Impossível. Tive de escolher entre uma Masterclass com Clint Eastwood e a estreia de um filme. E os títulos na seleção oficial acabam sempre ganhando a disputa.

A boa notícia é que quase todos são exibidos mais de uma vez, então é possível sim se programar - mesmo que para isso você tenha que abrir mão do Grand Théâtre Lumière.

As informações oficiais sobre o Festival podem ser acessadas neste site.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

LEIA MAIS:

- Filme da Netflix sobre arte, sucesso e frustração reúne gigantes em Cannes

- Cannes: Sofia Coppola traz perspectiva feminina em remake de 'O Estranho que Nós Amamos'

Festival do Cinema Lésbico: veja os filmes em cartaz