OPINIÃO

4 filmes imperdíveis do Festival de Cinema de Edimburgo

O destaque do festival foi uma comédia romântica nada convencional.

12/07/2017 12:05 -03 | Atualizado 12/07/2017 12:05 -03

Talvez você nunca tenha ouvido falar do Festival de Cinema de Edimburgo, mas ele é tão antigo quanto os de Cannes e Veneza.

No último mês de junho, celebrou sua 70a edição com muitas premières escocesas, algumas britânicas e outras globais. Okja, de Bong Joon-Ho, foi escolhido para as telonas da capital escocesa (e já pode ser visto na Netflix).

O Festival é um mix entre os grandes eventos da indústria - que reúnem elenco, diretores, produtores e grandes compradores do mercado - e as mostras feitas para o público. Vi a maioria dos filmes em um cinema meio afastado dos bairros principais, Cidade Nova e Cidade Antiga.

Com uma bombonière de quatro metros quadrados, mais de dez salas e sessões que começam às 11h da manhã, o Cineworld é o cinemão blockbuster de uma cidade de cinéfilos.

O melhor, é claro, foram os filmes, todos ainda inéditos no Brasil. Abaixo, alguns detalhes dos meus favoritos (sem spoilers!).

Song to Song, de Terrence Malick

Song to Song / Divulgação 2017
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Confesso que tenho certa dificuldade em entender Terrence Malick. As imagens são sempre poéticas (nunca me esquecerei de algumas cenas de Árvore da Vida ou To The Wonder), mas normalmente sinto falta de uma história óbvia que costure tudo.

Song to Song resolve esse problema. Tem uma história para cada personagem (entregues a um elenco estelar composto por Rooney Mara, Ryan Gosling, Michael Fassbender, Natalie Portman e Cate Blanchet). A cada narrativa, uma assinatura, com cores, movimentos, tom de voz e conteúdo. Aos poucos, uma história se encaixa na outra, como um quebra-cabeça.

O filme fala de amor. Homem e mulher, mulher e mulher, pai e filho, amor próprio. E é bem comovente - dá para se emocionar com cada um dos personagens, especialmente com a protagonista de Rooney Mara. Embora muita gente tenha saído do cinema antes do fim, eu verei de novo assim que chegar no Brasil. A estreia está prevista para o dia 20 de julho.

Daphne, de Peter Mackie Burns

Daphne / Divulgação 2017
Agatha A. Nitecka

Imagine uma comédia romântica sem nada daquela bobagem característica. Foi assim que o Indie Wire definiu o filme de Peter Mackie Burns. Foi, ainda, a melhor surpresa do Festival. Emily Beecham, que interpreta a Daphne do título, ganhou o prêmio de melhor atriz.

Já eu me senti pela primeira vez representada nas telonas. Não que tenha muito em comum com a protagonista, mas há um espaço cinzento dos trinta e poucos anos que foi muito bem explorado pelo filme de estreia de Burns.

Algumas cenas me lembraram Azul é a Cor Mais Quente, pois estabelecemos uma convivência meio íntima com Daphne. Lembrei também de The Square, que ganhou a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, pelo aspecto adorável do anti-herói (ou heroína).

Final Portrait, de Stanley Tucci

Final Portrait / Divulgação 2017
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Stanley Tucci apresentou Final Portrait no Traverse Theatre, famoso por promover performances de obras e dramaturgos menos conhecidos. Só isso faria a visita valer a pena.

O filme parece uma peça de teatro e faz um recorte na vida do pintor e escultor Alberto Giacometti, a partir do livro escrito por James Lord.

Giacometti, interpretado por Geoffrey Rush, propõe a Lord (Armie Hammer) posar para um retrato. Segundo ele conta, levaria uma ou outra tarde no máximo. O trabalho acaba se desenrolando por meses, e Lord registra cada versão do retrato e, mais do que isso, o artista em trabalho.

O filme também não tem data de lançamento prevista.

That Good Night, deEric Styles

That Good Night / Divulgação 2017

Último filme de Sir John Hurt, que faleceu em janeiro deste ano, That Good Night emprestou o título de um poema de Dylan Thomas, Do not go gentle into that good night. Em tradução livre: não vá docemente para aquela noite boa. O filme é baseado na peça homônima de NJ Crisp.

De doce, o bem-sucedido roteirista Ralph (John Hurt) realmente não tem nada. Mas está em fase terminal e, antes de ingressar na boa noite, conta com a ajuda de um visitante para se reconciliar com o filho e dar menos trabalho para a esposa Anna, muitos anos mais jovem.

A história é linda, assim como os cenários idílicos da Algarve, e a performance de Hurt é maravilhosa. Além de outros excelentes atores, como Sofia Helin e Max Brown, o filme traz no elenco Charles Dance, famoso por sua interpretação de Twyn Lannister em Game of Thrones.

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