OPINIÃO

Razão e sensibilidade

28/07/2015 15:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
HAZEM BADER via Getty Images
Israeli soldiers stand guard as Palestinians demonstrate along with left-wing Israelis and foreign peace activists in Beit Omar, near the West Bank city of Hebron on August 20, 2011 for the creation of a Palesitnian state and gainst the latest Israeli air strikes on Gaza in which 14 people were killed and around 40 wounded, according to Palestinian sources. AFP PHOTO / HAZEM BADER (Photo credit should read HAZEM BADER/AFP/Getty Images)

O mundo aplaudiu recente discurso feito pelo presidente norte-americano Barack Obama em visita ao Quênia. Ele foi contundente ao defender o direito das mulheres. Condenou a violência doméstica, a prática de mutilação genital e o casamento arranjado de jovens mulheres. Pediu o amplo acesso à educação, negado em várias partes do mundo, como forma de promover o desenvolvimento. Clamou pelo fim de tradições que não mais se justificam no século XXI, pois tratam as mulheres como cidadãs de segunda classe.

A fala deve, realmente, ser aplaudida. Tais palavras, ditas pelo líder de uma potência hegemônica, amplificam as vozes de quem sempre combateu a discriminação de gênero. Longe de uma intromissão em raízes culturais e que são a essência de um povo, a luta pela igualdade de oportunidades encontra forte resistência quando crianças são proibidas de estudar pelo simples fato de serem mulheres. Quando privamos jovens mulheres de uma vida plena ao condená-las a uma relação para a qual o desfecho é a submissão e o silêncio.

Ao elogiar e apoiar as palavras temos a obrigação de nos lembrar de outras frentes de batalha igualmente necessárias e que clamam pela atenção dos líderes mundiais. Se, por um lado os EUA dão passos importantes nesta e em outras lutas que, há anos, aguardam resolução, por outro se calam. Avançam em questões como o reatamento das relações diplomáticas com Cuba, por exemplo, o que significará uma nova perspectiva para o bravo povo cubano. Essencial, agora, superar o embargo econômico e outras limitações impostas ao longo de mais de cinco décadas.

Entretanto, em outro ponto do globo, contraditoriamente, as teses imperialistas não estão superadas. Outro povo - não menos injustiçado - padece pela falta de apoio e de uma ofensiva que resulte em paz duradoura e capaz de restituir direitos até então negados. Esperamos essa mesma contundência do presidente Obama na defesa do Estado Palestino, assim como defendemos, também, a existência do Estado de Israel.

Já passou da hora do mundo olhar com razão e sensibilidade para o drama vivido pelos palestinos. Um povo sofrido, mas heroico, que resiste e luta para que suas crianças possam voltar a andar pelo chão que lhes pertence. Que vivam livres de conflitos armados, que tenham acesso a escolas, a uma vida sem muros.

É o que queremos para as mulheres, para os cubanos, os palestinos e todos que ainda sobrevivem, mas não são livres para uma vida sem amarras, sem violência, sem preconceitos e com respeito a autonomia e soberania dos povos.

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