OPINIÃO

Jandira Feghali: por que a esquerda vai às ruas no dia 20

19/08/2015 12:23 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook

O centro de São Paulo, há quase cinquenta anos, foi palco de inúmeras manifestações políticas contra o Regime que seguia a endurecer no Brasil. Como no Rio, onde a região central deflagrou a Passeata dos Cem Mil em 1968, expressão imortalizada pelo jornalista Pery Cotta, a capital paulista também teve seus registros históricos na luta pela liberdade. Hoje, as ruas são palco de outro tipo de manifestação.

A marcha do último domingo (16) atacou com ódio e intolerância a democracia, os partidos políticos, a Esquerda, e - pasmem - até a República, retomando, assim, seus tradicionais impropérios contra o bom senso. Nessa profusão de ataques, que desconhecem a história e a luta dos que combateram a ditadura, a professora Inoil Rodrigues foi severamente hostilizada por, simplesmente, usar vermelho.

"Putinha do Lula, putinha do Lula". Mais respeito, minha filha, mais respeito. "Vagabunda, vagabunda!!!" Não, minha...

Posted by Luciano Marra on Domingo, 16 de agosto de 2015


A "Marcha da Insensatez" frustrou seus organizadores e não apresentou nenhuma proposta ao país. No contraponto aos absurdos vistos, o Brasil irá às ruas na próxima quinta-feira (20), em diversas capitais do país. Vários atos unificados de trabalhadores, movimentos sociais, entidades estudantis e sociedade não organizada farão a defesa dos pilares do Estado Democrático de Direito e exigirão mais direitos.

Nosso país não pode ficar submisso à agenda midiática da crise ou do oportunismo político da oposição, que caminha sobre o tapete da histeria coletiva. Vale lembrar que a presidenta Dilma Rousseff, de forma sensível e republicana, tentou abrir o diálogo com líderes oposicionistas, mas estes recusaram pensar o Brasil, numa clara tentativa de desgastar o Governo Federal e colocar em risco o país.

As forças progressistas estarão nas ruas para pedir que se avance numa agenda nacional de ampliação de novos direitos e manutenção de outros. Serão vozes em uníssono na defesa da democracia e contra o golpe, pelo combate à precarização do trabalho, à corrupção e à sonegação, além de inúmeras reformas estruturantes, como a tributária e taxação de grandes fortunas, e a reforma urbana, com a possibilidade de cidades mais inclusivas. Estarão presentes nas ruas as mães contra a redução da maioridade penal e a violência contra mulher. Estudantes erguerão a bandeira pela Educação de qualidade e condenarão as mortes nas periferias. Os movimentos LGBT lutarão contra o preconceito. Todos de mãos dadas, juntos, sem violência.

A participação nos atos do dia 20 é um momento importante de reflexão e de luta pela democracia em nosso País, seja na busca de políticas públicas, seja na defesa do mandato constitucional da presidenta, legitimamente eleita por 54 milhões de brasileiros. É a marcha do avanço contra a caminhada do retrocesso.

Vamos caminhar com senso crítico, pedindo por avanços onde ele ainda não aconteceu e defendendo aqueles que já alcançamos. Vamos marchar, principalmente, reiterando nosso apoio a um projeto inclusivo, de desenvolvimento econômico e social, também voltado ao combate às desigualdades. Vamos às ruas gritar NÃO ao golpe!! É hora de erguer a cabeça, com o coração tomado de tolerância e solidariedade. Com a certeza de que o único caminho possível é aquele que se trilha tendo como aliados a liberdade e a democracia. Marchemos!

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